O rombo de quase R$ 500 mil deixado pelo ex-interventor Sérgio Ferro na Santa Casa e investigado pelo MP (Ministério Público) causou discussão ontem na Câmara Municipal. Marcelo Valim (PSDB) condenou as atitudes de Ferro e lançou dúvidas sobre a versão do ex-prefeito Gilmar Dominici (PT), que afirma não saber de nada do que acontecia no hospital. Gilson Pelizaro defendeu o ex-prefeito e colega de partido.
Valim foi à tribuna e criticou duramente Ferro. O vereador, que também é radialista, disse que, desde a época em que o ex-interventor gerenciava o hospital (entre 2001 e 2004), ele já suspeitava de atos ilícitos e os “denunciava” em seu programa de rádio. O tucano enumerou as várias irregularidades que vieram à tona após matéria do Comércio e criticou o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado entre o MP e o acusado. Valim disse ainda que Ferro só não foi parar na cadeia porque não é pobre. “Neste País existem dois códigos penais. Um para os pobres e outros para os ricos”, disse. O tucano questionou também Dominici que alegou que não sabia das ações de Ferro na época em que era prefeito.
Pelizaro saiu em defesa do companheiro de partido. O vereador disse que não se pode culpar Dominici pelos erros cometidos por Ferro. Ele afirmou que cabia ao MP fiscalizar as ações do ex-interventor e usou um exemplo da administração atual para a defesa. “O prefeito Sidnei Rocha é culpado, por exemplo, das irregularidades cometidas por João Furlan no comando do Dinfra?”, disse o vereador.
Não satisfeito, Valim voltou à tribuna. Visivelmente irritado, o vereador rechaçou a defesa de Pelizaro. Ele disse que é “preciso assumir” o conhecimento de coisas que acontecem “embaixo do nariz” e que não é possível “tampar o sol com a peneira”.
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