Marcelo Valim (PSDB) não é mais o primeiro-secretário da Câmara Municipal de Franca. O tucano renunciou ao cargo ontem alegando que o presidente da Câmara, Marcelo Mambrini (PMN), tomou decisões sem consultá-lo. Mambrini nomeou provisoriamente para o cargo o companheiro de partido de Valim, Rui Engrácia. Na próxima sessão, será realizada uma votação para definir quem ocupa a cadeira vaga até o final de 2006.
Valim ameaçou deixar o cargo na semana passada. Depois do pedido de colegas para que ficasse, havia prometido uma decisão definitiva em uma semana. Ontem, o tucano não leu sequer um documento na sessão.
No texto da renúncia protocolada na Câmara, Valim diz que a decisão, “irrevogável”, se deve à dificuldade para “conciliar as diversas atividades como vereador”. Em seu discurso durante a sessão de ontem e à reportagem do Comércio, o vereador deu outra versão. Disse que decisões tomadas por Mambrini sem consultá-lo motivaram sua saída. “Não estava sendo consultado sobre certas coisas e não fui eleito para ser palhaço. Não posso ficar sabendo das coisas da Câmara pela imprensa”, disse.
A gota d’água para a saída de Valim foi a decisão tomada pelo presidente de fazer reformas na sede do Legislativo de Franca.
Mambrini não comunicou sua intenção a nenhum membro da mesa diretora que, juntamente com ele, é responsável pela administração da Câmara. O tucano não esconde seu descontentamento.
Durante seu pronunciamento na tribuna na tarde de ontem, Mambrini tentou ignorar as razões conhecidas por todos. “Não quero acreditar que problemas da Câmara tenham levado o Valim a renunciar”, disse sem mencionar outra possível justificativa para a saída. “Respeito a decisão até porque ele não é uma criança e deve saber bem o que está fazendo”. O presidente aproveitou ainda para defender as reformas que deseja fazer na Câmara. Entre elas, está a compra de um novo sistema de som e de novas cadeiras para o plenário, a implantação de um hidrante e a construção de um banheiro para deficientes e uma saída de emergência no plenário.
A renúncia de Valim, motivada por ações de Mambrini, transformou ambos em alvo de críticas de Gilson Pelizaro (PT). O petista disse que a atitude de Valim comprova uma tese levantada pela oposição na época da eleição da mesa diretora, no final do ano passado, de que a formação seria inexperiente demais para compô-la. “Mostra imaturidade. Todos os vereadores de primeiro mandato não sabiam no que estavam entrando. O número de ‘cacas’ feitas no comando da Câmara demonstra isso”, disse, fazendo referência a outras atitudes de Mambrini, como o uso de carro oficial para fins particulares e a contratação de assessores parlamentares que geraram puxões de orelha do MP. Pelizaro disse, ainda, que, em quatro anos de mandato, nunca havia visto uma renúncia a cargos internos.
Valim rebateu as considerações do petista. “Não é uma questão de maturidade, mas de coragem”, disse. O tucano disse que, como primeiro-secretário, não conseguia atuar de forma ativa na Câmara.
Mambrini também fez questão de comentar a alfinetada de Pelizaro. “Não tenho problema em reconhecer a pouca experiência”, disse e citou o caso de outro vereador da atual legislatura, Joaquim Ribeiro (PSB), que, em mandato iniciado em 1992, assumiu a presidência no primeiro dia. “Na vida, nós estamos sempre aprendendo”.
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