O anúncio da Santa Casa de cortar atendimentos ambulatoriais para os usuários da rede pública na cidade parece ser o final de uma novela que se arrasta há pelo menos três anos. Desde 2003, o hospital e a prefeitura não têm contrato para regulamentar os repasses de verbas. Dezenas de reuniões foram realizadas neste período, porém, nunca se chegou a um denominador comum.
Nos últimos meses, as discussões intensificaram-se, mas nem assim chegou-se a um acordo. De um lado, a Santa Casa alega que a prefeitura não paga o que deveria e que isso gera um déficit gigante à instituição. Diz ainda que sofre pressão do Ministério Público para resolver esta situação. De outro, a prefeitura alega que já aplica 22% de seus recursos próprios na Saúde e que não pode ampliar este índice, sob pena de não ter o suficiente para atender as demais secretarias.
No mês passado, o Ministério Público reuniu Santa Casa e prefeitura para tentar um acordo. As bases chegaram a ser acertadas: o município assumiria, em quatro meses, no Pronto-Socorro “Dr. Janjão”, serviços ambulatoriais de cinco especialidades (cardiologia, ortopedia, pediatria, ginecologia e psiquiatria) para diminuir o número de atendimentos prestados e, conseqüentemente, os valores a serem pagos ao hospital, que veria seu déficit cair.
Nada saiu do papel. O acordo não foi oficializado e tudo permanece como estava. Para a Santa Casa, foi a gota d’água. O provedor da instituição, Onofre Trajano, disse os cortes nos atendimentos são inevitáveis. “Não queremos prejudicar a população mas, infelizmente, como está não pode continuar”.
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