Santa Casa corta atendimentos


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O diretor-clínico Marcelo Lima e o superintendente da Santa Casa, ontem: sem dinheiro, sem serviços prestados à sociedade
O diretor-clínico Marcelo Lima e o superintendente da Santa Casa, ontem: sem dinheiro, sem serviços prestados à sociedade
Após meses de impasse e longas negociações, a Santa Casa anunciou ontem que cortará os atendimentos ambulatoriais de cinco especialidades para os usuários do SUS (Serviço Único de Saúde) em Franca. Segundo a instituição, desde o dia primeiro não são feitos atendimentos na cardiologia. A ortopedia e pediatria são as próximas da lista. Com isso, a partir do dia 25, a Prefeitura terá de assumir os serviços, que chegam a quase cinco mil atendimentos a cada trinta dias. O cronograma dos cortes foi anunciado pelo superintendente do hospital, Fernando Bueno, e acontecerá em curtíssimo espaço de tempo. A partir da próxima segunda-feira, a Santa Casa deixará de atender casos ambulatoriais de ortopedia e pediatria. No dia 18, os cortes atingirão a psiquiatria e, dia 25, ginecologia e obstetrícia. “Desde o dia primeiro não atendemos casos desta especialidade”, disse Bueno, que não deu maiores detalhes sobre a ausência de um aviso prévio. A expectativa da Santa Casa é economizar cerca de R$ 180 mil mensais com a redução dos serviços e diminuir o déficit da instituição, que seria de aproximadamente R$ 1 milhão por mês. “Temos de resolver uma coisa de cada vez para sanearmos as finanças da instituição. Com esta redução, a situação já melhora: nossa preocupação será de correr atrás de oitocentos e poucos mil (reais) e não de um milhão”, disse Bueno. Outra consequência do anúncio de ontem refletirá sobre o quadro de funcionários da Santa Casa. Embora não tenha precisado os números e as datas, Bueno já disse que a instituição terá de demitir. “Se uma área do hospital deixa de prestar atendimentos, não faz sentido mantê-la. Remanejaremos quem puder, mas ainda assim, os cortes acontecerão. No caso específico dos médicos, eles perderão renda, pois são prestadores de serviços e ganham por procedimento”. Bueno disse também que continua aberto a conversações com a Prefeitura e que está disposto até mesmo a vender “no varejo” os serviços da Santa Casa. “Conversei hoje (ontem) com o Alexandre Ferreira. Se eles quiserem comprar somente os atendimentos de ortopedia, ou cardiologia, por exemplo, e quiserem assumir somente os demais, não há problema. Mas deixei claro que a Santa Casa só atenderá o que a Prefeitura puder pagar, nada mais que isso”. Questionado se a população não sairá prejudicada com os cortes, Bueno disse que cabe à Prefeitura resolver o problema. “A Santa Casa é uma entidade particular que, como qualquer empresa, não sobrevive trabalhando com um prejuízo gigantesco. O que estamos fazendo é defender a Santa Casa”, disse. SILÊNCIO O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, mais uma vez, optou por não falar. Procurado pela reportagem pelos telefones de seu gabinete, celular e residencial para dar sua opinião sobre o assunto, Ferreira não foi encontrado. O prefeito Sidnei Rocha também foi procurado, mas se encontrava em São Paulo e, segundo familiares, não teria levado seu telefone celular.

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