Sem enxergar, aposentado cuida de verduras há 1 ano


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Walter Belmiro Luiz, cego, que no cultivo de mais doze tipos de verduras e legumes encontrou uma terapia: “Com este trabalho ajudo o próximo. Quero estender minha mão para as pessoas”
Walter Belmiro Luiz, cego, que no cultivo de mais doze tipos de verduras e legumes encontrou uma terapia: “Com este trabalho ajudo o próximo. Quero estender minha mão para as pessoas”
O operador de máquinas aposentado Walter Belmiro Luiz, 55, foi vítima de retinose (doença da retina que provoca a perda progressiva da visão noturna e visão periférica) há dez anos e perdeu a visão do olho direito e só enxerga 15% com o esquerdo. A deficiência visual, porém, não o impediu de trabalhar e hoje cuidar da produção de 900 maços de verduras por semana no Jardim Paineiras. Depois do problema visual, para se distrair e fugir da depressão por ficar parado, Walter costumava capinar terrenos baldios e plantar hortaliças. Em setembro de 2005, conhecedora do talento dele, a equipe do PSF (Programa de Saúde da Família) o convidou para assumir a horta comunitária no bairro e ele aceitou. “Parece que volto a enxergar quando planto hortaliças e verduras. É uma diversão. Gosto muito das plantas e cuidar delas foi o melhor tratamento para as vistas que já tive.” Ele diz que a boa vontade, aliada à coragem de trabalhar, é o que lhe permite cuidar diariamente de vários canteiros e desenvolver 12 tipos de legumes e verduras. Dedicado, Walter chega a passar 12 horas por dia no local cuidando de quiabo, abóbora, berinjela, jiló, cenoura, beterraba, alface, acelga, tomates, etc., e quer mais. “Acho que é pouco o que faço. Ganho o pão e ajudo o próximo com esse trabalho. Quero estender mais minha mão para as pessoas.” Os conhecidos ajudam-no a chegar à horta e em casa, principalmente se estiver à noite.

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