Ser vegetal


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Menos sal, óleo e carne vermelha. Mais verduras e legumes. O arroz, só integral. Esta é a receita de uma vida saudável, de acordo com quem busca nos alimentos de origem vegetal e pouca coisa de origem animal as vitaminas e proteínas necessárias para suprir as funções vitais do corpo. Muitos já aderiram à idéia “natureba”, mas ainda há resistência de muita gente, que prefere não se arriscar a trocar um bom churrasco por um prato de berinjela, brócolis e queijo de leite de cabra. Apesar de parecer improvável, levar uma vida saudável tem lá seu lado bom, com receitas lights apenas no teor calórico, mas com muito sabor. Muitos chefs têm levado a sério o desafio de atender este público que parte em busca de hábitos mais saudáveis. Empenham-se na criação de receitas que sigam a linha vegetariana, mas sem perder o caráter apetitoso e o apelo visual dos pratos. Segundo Gislaine Oliveira, responsável pelo bufê Gislaine Oliveira Gastronomia, é possível fazer pratos bastante saborosos com todos os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo. Risotos, como o de champignon e vinho tinto e o de abóbora e açafrão; massas variadas, como lasanha de escarola, o macarrão tropical, receita que leva frutas, tomate e os queijos gongonzola e parmesão, o macarrão parafuso ao molho de berinjela, rúcula e menta e o espaguete ao pesto com molho de abobrinhas (veja quadro nesta página) são sugestões nutritivas e saborosas. “Nas festas e eventos que preparo, não posso deixar de me preocupar com os adeptos da alimentação vegetariana. Por isto, na elaboração do cardápio, sempre incluo algumas opções sem a utilização de carne”, explica a chef Gislaine. SER OU NÃO SER? Seja por questões religiosas, filosóficas ou até mesmo por saúde, o certo é que uma dieta vegetariana pode contribuir para uma melhor qualidade de vida. O dentista francano Antônio Marcos Bereta Gonzalez não come carne vermelha há oito anos por três razões. A primeira é que acha cruel a matança dos animais para a alimentação humana. Além disso, ele acredita que o sacrifício animal libera energia negativa que intoxica sua carne e repassa estes traços para quem a consome. “Temos outras fontes para obter proteína que não a carne vermelha animal. A soja é uma delas”, explica o dentista, que se considera naturalista, por não manter uma dieta carnívora radical. “Só como carne de frango e peixe. Mesmo assim, o frango eu também pretendo abolir de minhas refeições”, disse. A terceira razão é que ele percebia que o consumo de carne o deixava com as mãos trêmulas. “Não sei se tem algo a ver, mas após eu cortar a carne do cardápio, percebi uma sensível melhora e não senti mais os tremores”, disse. A estudante Monique Graciela Machado Alves, 19 anos, é vegetariana assumida praticamente desde que nasceu, mas não por radicalismo. Para ela, o simples cheiro da carne a desagrada desde adolescente. “Nunca fui muito fã de carne vermelha. Depois, isso também aconteceu com as outras carnes. Hoje me considero ovolactovegetariana (que se alimenta apenas de ovos, leite e vegetais), com restrições a ovos, às vezes”, disse Monique. Em sua casa, apenas ela é vegetariana, mas todos acabam entrando em seu cardápio. “Verduras e legumes são servidos todos os dias e eles (sua família) acabam comendo também”, afirmou a estudante. Encontrar Monique numa churrascaria é improvável. Então, como fazem os vegetarianos para ir a um restaurante? Se esbaldam com a pista fria. Mas se quiser mais do que alface, rúcula e tomate, existe em Franca um restaurante considerado de comida probiótica. Quase tudo que é feito no restaurante Dona Octalin foge do modelo atual usado nas cozinhas da maioria dos lares francanos. Óleo, só de girassol ou granola e mesmo assim pouquíssimo, quase nada; carne, só de soja; o arroz é integral. De origem animal, apenas o queijo. SERVIÇOS O Restaurante Dona Octalina fica na Rua Jardinópolis, 225, Jardim Higienópolis, Franca(SP), telefone (16) 3722-7052. Gislaine Oliveira Gastronomia, Rua Jequitaí, 30, Moema (São Paulo, capital), telefone (11) 5536-0880.

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