A Santa Casa deverá anunciar hoje o cronograma de paralisações nos atendimentos de ambulatório aos usuários do SUS (Sistema Único de Saúde). Segundo o provedor da fundação, Onofre Trajano, um acordo com a Prefeitura em relação aos valores dos repasses está distante e os cortes serão inevitáveis.
A Santa Casa exige cerca de R$ 370 mil mensais, ante uma proposta de R$ 222 mil da Prefeitura. As negociações entre o hospital e o poder público se arrastam há meses e um acordo chegou a ser acertado, no mês passado, no Ministério Público, mas ainda não foi implementado.
Os primeiros cortes, que poderão acontecer ainda nesta semana, atingirão a ortopedia. Pediatria, cardiologia e ginecologia, pela ordem, deverão ser as próximas a serem cortadas. Com isso, a Prefeitura terá de assumir os serviços ou contratar outros hospitais da cidade para garantir o atendimento a população. Em média, são feitos mensalmente 3 mil atendimentos ambulatoriais pela Santa Casa a usuários do serviço municipal.
“Estamos atrás de recursos de tudo que é lado, governo estadual, federal, mas não estamos conseguindo. Não queremos de maneira alguma prejudicar a população, mas, infelizmente, não dá para continuar bancando um déficit mensal de quase um milhão de reais”, disse Trajano. O provedor não quis antecipar como acontecerão os cortes. “Somente na terça-feira o Fernando Bueno (superintendente da Santa Casa) fará o anúncio à imprensa”.
Bueno também não quis antecipar como será feita a paralisação nos atendimentos. Alegou que só se pronunciaria na entrevista coletiva de hoje. “O principal é que avisaremos com antecedência tudo que será feito para não prejudicar a população”. O superintendente disse ainda que os atendimentos de emergência, quando há risco de morte do paciente, e as internações não sofrerão mudanças.
A princípio, o prefeito Sidnei Rocha parece acreditar, ainda, que haverá um acordo com a Santa Casa. Disse estar pronto para cumprir o acordo firmado no MP, mas que só pagará o valor combinado após a assinatura de um convênio. “Propusemos dobrar os repasses feitos além da verba carimbada do SUS (R$ 72 mil) de R$ 75 mil para R$ 150 mil. A única exigência que fazemos é a assinatura do contrato.”
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