José (nome fictício), 16, é estudante da 8ª série de uma escola estadual no Jardim Santa Efigênia, mora na Vila São Sebastião e é o primeiro de cinco irmãos. Hoje, mora com a avó e a tia. O crime entrou cedo na vida dele. O pai está preso na Cadeia do Guanabara há 11 meses por roubo. “Todo mundo me jogava na cara que eu ficaria igual meu pai. Cansei de ouvir isso e comecei a cometer crimes também quando estava com uns 12 anos.”
Ele cumpre Liberdade Assistida no projeto Mosaico desde março de 2006 por roubo à mão armada. Em fevereiro, ele e um colega de 14 anos invadiram uma livraria na Avenida Santos Dumont durante o dia e renderam oito funcionários e clientes, obrigando-os a se deitar no chão. O amigo estava com revólver, mas na hora fugiu e ele ficou sozinho na loja. Depois de trocar socos com algumas pessoas, acabou imobilizado por uma “gravata” que lhe deram e foi levado à delegacia. “Derrubei uns quatro com murros, mas depois conseguiram me segurar no chão, chamaram a polícia e eu ‘caí’.”
Em seis meses de atendimento no Mosaico, demonstra interesse em mudar sua conduta e futuro. “Estou ‘firmeza’. Fiz meus documentos e agora quero arrumar um ‘trampo’ (trabalho), qualquer um. Quero um serviço para ter um dinheiro limpo”, disse ele. “Antes eu roubava sem pensar e não estava nem aí. Estou mudando. As conversas das meninas (assistentes sociais) vão entrando na mente e faz a gente pensar mais”, completou.
O jovem recebe R$ 65 por mês de auxílio do Programa Agente Jovem e com o dinheiro ajuda a avó a manter a casa e usa o restante para comprar roupas. O estilo de se vestir, aliás, é algo do qual não abre mão. “Sempre tem alguém que fica meio ‘pá’ e olha diferente porque acha que os que usam roupa assim, rouba. Tenho vontade de quebrar todos quando isso acontece, mas não vou mudar”, disse ele, ao apontar a blusa de zíper, bermudão, correntes, brincos e boné.
O Mosaico funciona desde abril de 2003 e é um instrumento para cumprir a lei, o artigo 118, previsto no ECA. Em Franca, a Prefeitura disponibiliza funcionários, assistente social e psicólogos paga água, luz, telefone e a sede. A Febem e o Instituto Bom Samaritano são conveniados. Atualmente, a Febem repassa R$ 118 per capita para pagar orientadores, transporte e cursos; o Instituto Bom Samaritano é o gestor do projeto.
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