A assistente social Maria Inês Coimbra, coordenadora do Mosaico, acredita na recuperação dos menores infratores, mas diz que a comunidade precisa eliminar o preconceito para que a ressocialização tenha êxito.
Comércio da Franca - Quais fatores levam os jovens a cometer infrações?
Maria Inês Coimbra - Existem vários fatores determinantes. São conflitos pessoais, frustrações, as questões sociais, pois hoje o que se prega é o ter e a falta de oportunidade na educação, saúde e lazer os decepciona. Os meninos também vivem em um ambiente sem acolhimento, sem estrutura familiar. Se não tiveram acolhimento, não vão acolher.
Comércio - Como avalia os resultados do Mosaico?:
Maria Inês - O papel do Mosaico é redirecioná-los e criar oportunidades para a ressocialização, mas o querer tem de ser deles. A decisão de acatar as oportunidades cabe aos jovens. Temos bons resultados. Dos encaminhados para a escola, por exemplo, 60% continuam os estudos.
Comércio - O que dificulta a mudança de conduta dos menores?
Maria Inês - Eles esperam resultados na hora, conseguir um emprego logo e não é assim. Ainda esbarram no preconceito da sociedade. Já existe o estigma sobre adolescentes, que são “aborrecentes”, imagine para jovem que cometeu infração? O agravante é que a Liberdade Assistida depende o tempo todo da comunidade para conseguir cursos e vagas de emprego. Falta um entendimento do trabalho com esses adolescentes e a percepção de que se não houver acolhimento, a situação desanda.
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