Temos que aceitar uma verdade estarrecedora: estragamos o planeta. A Terra vai continuar a se aquecer e catástrofes devastadoras vão acontecer. Não dá mais para impedir.
No último dia 25, o cientista Carlos Nobre, pesquisador do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas espaciais), esteve em Franca para ministrar uma palestra sobre mudanças climáticas e seus impactos em evento promovido pela Unifran. Ele afirmou que o CO2 (gás carbônico) já presente na atmosfera demorará séculos para ser retirado de lá pela natureza. E mesmo que, nesse exato momento, interrompêssemos as emissões, deixando de usar nossos carros a gasolina e de poluir com nossa indústrias, o CO2 que já está em volta da Terra continuaria fazendo-a se aquecer por pelo menos mil anos e, só depois de décadas, o planeta começaria a esfriar.
Segundo ele, a redução da emissão de poluentes e do desmatamento é importante para retardar o colapso do planeta e tentar ganhar tempo, mas não é só com isso que o mundo deve se preocupar. “O clima vai mudar. Temos que buscar formas de minimizar os danos”, disse. “Com o calor aumentando, em pouco tempo o clima paulista não será mais apropriado para o cultivo de café. Para evitar um colapso da economia do campo, há que se buscar alternativas”. O cientista alertou ainda que o aquecimento global está causando o descongelamento das geleiras cada vez mais rápido. E não são só os ursos polares e pingüins que ficarão sem casa quando o gelo dos pólos acabar. Suponhamos que apenas a geleira da Groenlândia (quem já jogou War sabe que isso fica pra lá do Canadá) derretesse: o nível dos oceanos subiria seis metros, fazendo o mar adentrar vários quilômetros no continente, inundando áreas onde vive mais de 25% da população mundial.
A força das tempestades vem aumentando ano a ano. Em 2004 foi registrado o primeiro furacão no Atlântico Sul, que causou enormes prejuízos ao Estado de Santa Catarina. Isso se tornará freqüente.
As previsões sáo catastróficas. Deslizamentos de terra podem matar parte da população brasileira que vive em favelas. As pessoas que abandonarão a zona rural devido à infertilidade do solo poderão inflar as cidades, que não terão estrutura para recebê-las. Nas cidades hiperlotadas, a violência tenderia a aumentar. As doenças causadas pela falta de higiene e pelas enchentes deverão aumentar. O mesmo ocorrerá com aquelas que são transmitidas por mosquitos como dengue, malária e febre amarela.
Ufa!
Os governos e a sociedade devem adotar medidas para minizar o impacto dessa hecatombe, tais como redução da pobreza, pesquisa nas área de agricultura e energias alternativas, melhorar a estrutura para atendimentos de emergência, saúde, segurança e defesa civil. Para se ter uma idéia da falta de estrutura do Brasil: se duas tempestades de intensidade igual atingem simultaneamente uma cidade no Brasil e outra nos EUA, aquela que atingir a América do Norte causará só 20% do dano e das mortes da que passasse por aqui. São os EUA que emitem um quarto de todo o CO2, mas a natureza não conhece fronteiras.
Gozado... antigamente, quando alguém anunciava o fim do mundo, era algum maluco religioso. Hoje, são cientistas, baseados em dados concretos e não em “visões”.
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