Calorão, seca prolongada, viroses proliferando, pessoas implorando por chuva. Justo num belo sábado de micareta, quando todos queriam que não chovesse para poderem curtir a festa a céu aberto, a Natureza diz: “É agora”. E tome temporal... Bem na hora em que o trio elétrico com a atração principal estava entrando no percurso. É a maneira de a Natureza dizer “Me sacanearam. Agora também eu vou zoar todo mundo. Comigo é assim: bateu, levou.”
Mas por que está esquentando tanto? É por conta do famigerado efeito estufa, o acúmulo de gases (principalmente gás carbônico, CO2) na atmosfera, que permite que os raios solares entrem na atmosfera, mas impede que grande parte do calor da Terra seja dispersado (tem um quadrinho aí embaixo que explica melhor).
Esse tal efeito estufa não é coisa nova. Há 3,5 bilhões de anos, a Terra sofria desse mal e era “quente pra caramba”. Afinal, vulcões não paravam de jogar poluição na atmosfera, fazendo com que a Terra não dispersasse calor para o espaço. Mas, graças às pequenas algas marinhas que começaram a surgir por essa época, as coisas começaram a mudar. As algas, assim como as plantas que pouco a pouco foram surgindo, têm a capacidade de retirar o CO2 da atmosfera, por um processo chamado fotossíntese. Funciona assim: as plantas e algas têm uma substância chamada clorofila que absorve os raios solares e o gás carbônico. A planta então armazena a energia no sol em moléculas que usam o carbono do gás carbônico, devolvendo para o ar oxigênio limpo.
Com menos CO2, a Terra pode esfriar, e nós podemos surgir, respirar bastante oxigênio, comer mandioca, batata, milho e outras plantas, adquirindo a energia que elas armazenaram. Com folêgo e energia para pular, o ser humano inventou as micaretas e as raves.
Acontece que desde o rei hebreu Salomão resolveu construir um Templo enorme com cedros libaneses no século XI a.C, e quando os fenícios e vikings fizeram barcos de madeira para se lançar ao mar em busca de mercadorias, terras, mulheres, aventura e lucro, iniciou-se o desmatamento. Os portugueses então chegaram por aqui, nos idos de 1500, arrancando o pau Brasil da Mata Atlântica. Passou o tempo e o desmatamento aumentou: florestas e mais florestas foram sendo devastadas para o plantio de cana, café e soja. Não deu outra: quanto menos cobertura verde, menos gás carbônico é retirado da atmosfera pela fotossíntese. Mais gás carbônico significa mais efeito estufa, que significa mais calor.
Mas a coisa ficou feia mesmo foi quando os ingleses iniciaram a tal Revolução Industrial que, de fato, revolucionou o mundo. Com a queima de carvão e, posteriormente, petróleo, o homem pôde criar máquinas e veículos eficientes. O problema é que a queima desses combustíveis libera muito CO2 na atmosfera. O resultado é esse: aquecimento global.
Com a Terra mais quente, o clima todo fica louco. Muitas espécies morrem, as tempestades se tornam mais violentas, as geleiras derretem. A atmosfera mais quente faz as águas evaporarem mais. Tudo que sobe, mais cedo ou mais tarde, desce; e isso vale para a água evaporada. As fortes chuvas ocasionadas pelo aquecimento global, podem causar deslizamentos de terra, rompimento de diques, inundações, propagação de doenças, destruição de plantações, e o que é pior, o fim de micaretas.
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