Indicado judicialmente e pela administração Gilmar Dominici (PT) para gerenciar a Santa Casa de Franca, Antônio Sérgio Ferro, ex-interventor do hospital de 2001 à 2004, é agora acusado de desviar quase meio milhão de reais dos cofres do hospital. A acusação é feita pelo Ministério Público Estadual e pela própria fundação, que pleiteiam, na Justiça, a devolução do dinheiro.
A ação foi aberta em dezembro do ano passado com base numa auditoria realizada nas contas da gestão de Ferro, que durou de outubro de 2001 a janeiro de 2004. As irregularidades apontadas pelo levantamento encomendado pela atual administração do hospital vão desde recebimento indevido de salário até o pagamento de férias a pessoas jurídicas.
Por conta do processo, a Justiça decretou o bloqueio de todos os bens do ex-interventor, que se diz inocente, mas chegou a assinar termos de ajustamentos de conduta (uma espécie de acordo) com a Promotoria para devolver recursos utilizados irregularmente. Pagou, inclusive, algumas parcelas do acordo, que totalizaram pouco mais de R$ 8 mil.
O promotor Décio Piola, atual curador da fundação, disse que, se condenado, Ferro terá de restituir aos cofres da Santa Casa mais de R$ 446 mil. “Os dados apresentados à Promotoria evidenciam situações absurdas, como pagar férias, com um terço e tudo, a pessoas jurídicas, a venda de sucatas do hospital, cujo dinheiro ninguém sabe onde foi parar, e muitas outras coisas graves. Queremos a devolução de todo esse dinheiro, com as devidas multas e correções”.
Ferro afirma que “jamais lesaria” a Santa Casa e diz que conseguirá provar sua inocência na Justiça. “Tenho certeza absoluta de que tenho argumentos para minha defesa, tenho situações que posso explicar. Eu confio na Justiça e vou fazer de tudo para provar minha inocência”, disse. “Não cabe em minha cabeça a situação de condenação neste processo (...) Do fundo do meu coração, se tem uma instituição que eu sempre amei é a instituição Santa Casa. Se não fiz mais por ela foi porque fui abandonado”.
<b>As irregularidades de Sérgio Ferro, apontadas pelo MP</b>
<b>Salário maior</b>
Sérgio Ferro teria pago a si mesmo um salário maior do que o determinado pela Justiça. Ao todo, teria recebido R$ 71.394,74, quando o valor deveria ser de R$ 51,6 mil, uma diferença de mais de R$ 19 mil. Por um acordo com o Ministério Público (MP), Ferro já teria devolvido R$ 8,8 mil, faltando acertar R$ 10.978,74.
<b>Pagamento</b>
O ex-interventor teria pago a si mesmo o valor de R$ 5.896,80 sem declará-lo à contabilidade do hospital nem justificá-lo. Além disso, teria recebido, a título de férias e 13º salário, R$ 21.891,34. Ele não tinha direito a esse benefício.
<b>Férias à empresa</b>
Pagou a empresa Cossi& Cossi Consultoria Ltda. R$ 7.388 a título de férias. Além disso, chegou a pagar em um único mês (09/2003) R$ 14.388,00 a título de honorários da empresa.
<b>Na conta</b>
Segundo acusação da promotoria, o ex-interventor teria recebido em seu próprio nome cheque emitido por Cleuza de Souza Silva para pagar a aquisição de sucatas vendidas pela Santa Casa no valor de R$ 1.790. O dinheiro não entrou na contabilidade da Santa Casa
<b>Prestação de contas</b>
Sérgio Ferro teria emitido junto à contabilidade da Santa Casa R$ 8.397,22 em vales, para os quais não teria apresentado comprovação de gastos, nem prestou contas
<b>Serviço extra</b>
Apesar da Santa Casa já ter um departamento responsável pela manutenção patrimonial da instituição, Sérgio Ferro teria contratado a empresa Eugênio Alves de Andrade ME. para prestar o mesmo serviço por cerca de R$ 35,5 mil
<b>Contratado</b>
Sérgio teria ainda contratado o dono da empresa, Eugênio Alves de Andrade, de 1º de junho a 10 de setembro de 2003, como chefe de Patrimônio da Santa Casa com o salário mensal de R$ 2 mil
<b>Telefone barato</b>
Sérgio Ferro teria comprado 14 celulares no plano pós-pago da operadora Tess S/A, hoje Claro, em nome do Instituto de Hemodiálise de Franca, ligado à Santa Casa, e depois revendido os aparelhos para funcionários por R$ 10.
<b>Rins artificiais</b>
O ex-interventor teria ainda superfaturado a compra de 15 rins artificiais. Por cada aparelho, teria pago R$ 49,6 mil, sendo que uma outra empresa oferecia o mesmo aparelho pelo valor de R$ 39 mil, R$ 10 mil mais barato. Prejuízo de cerca de R$ 150 mil para o hospital.
<b>UTI Móvel</b>
Sérgio Ferro teria contratado uma empresa para assumir o serviço de UTI móvel do hospital por R$ 22 mil por mês. O contrato foi refeito pelo atual provedor Onofre de Paula Trajano, que acertou o preço de R$ 6,8 mil, uma economia de mais de R$ 15 mil
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