Um bairro esquecido


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Um bairro pequeno, com apenas três ruas, aproximadamente 140 moradores, 35 casas, 81 terrenos, uma indústria, um cômodo de comércio, sem UBS (Unidade Básica de Saúde), farmácia, supermercado e escola. Esse é o Jardim Eldorado, que, criado há cerca de dez anos, acabou esquecido na região oeste da cidade, próximo à Vila São Sebastião. Quem vive no local ainda sofre com a falta de infra-estrutura, de segurança e com a sujeira, barro e pó das ruas sem asfalto. A costureira de sapatos Aparecida Adelice Barbosa, 46, tem na ponta da língua as necessidades do bairro onde vive com o marido, a sogra, filhos e netos há cinco anos. “Aqui falta tudo. Não há asfalto e a gente é obrigada a viver no meio da poeira, com a casa sempre suja e problemas de alergia. As ruas também estão cheias de lixo e esburacadas.” A poeira e a lama também castigam a costureira Neusa Morais, 47. “Lavo as roupas e coloco no varal, quando vou ver estão impregnadas de pó com o vento que bateu. Tenho de lavar tudo de novo.” A pequena Mariane de Souza, 7, está cansada de chegar com os pés sujos na escola. “Piso com cuidado no caminho, mas não adianta”, disse ela, que sobe e desce 400 metros de chão de terra todos os dias ao ir e voltar dos estudos. Para a mãe dela, a dona de casa Darmi de Souza, 50, o fato de não terem pavimentado as ruas “é uma vergonha”, pois são apenas três vias, que, juntas, somam um quilômetro somente. Outra preocupação dos moradores do Jardim Eldorado é a insegurança e presença de usuários de drogas na região. “Estamos abandonados. Vivemos com medo de sair para fora de casa à noite. Até evito sair para não deixar minhas coisas sozinhas”, disse Neusa. Além do asfalto e policiamento, a região sonha com a instalação de uma UBS no local. A mais próxima, na Vila São Sebastião, fica a 2,5 quilômetros e a maioria dos usuários não tem carro para se deslocar e cuidar da saúde. GALERIAS Além da falta de asfalto, os vizinhos da Rua João Araújo Malheiros enfrentaram outros transtornos nos últimos três meses. Até ontem, a Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca) havia interrompido a instalação de galerias da rede de esgoto e deixou os buracos abertos no meio da rua. O presidente da empresa, João Marcos, disse que a suspensão ocorreu porque a Emdef teve outras prioridades, mas isso não se repetirá. “As obras recomeçaram hoje (ontem) e só vão parar quando o serviço terminar”, assegura ele.

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