Abandonadas


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Várias casas vazias que podem ser encontradas na cidade se transformam em espaço cativo para usuários de drogas, moradores de rua e marginais
Várias casas vazias que podem ser encontradas na cidade se transformam em espaço cativo para usuários de drogas, moradores de rua e marginais
Imóveis desocupados em diferentes bairros foram arrombados e se tornaram um verdadeiro tormento para os vizinhos. Freqüentados normalmente à noite, viraram ponto para uso de drogas e libidinagem. A casa na Rua Joaquim Querino Sobrinho, 2.748, na Vila Santa Cruz, ficou alugada por um casal durante um bom tempo, mas há meses, desde que se mudaram, o portão e janelas foram derrubados por invasores. O imóvel está destruído, cheio de lixo, entulhos, garrafas, latinhas usadas para fumar crack e preservativos. Para piorar a situação, fica ao lado da Escola Municipal “Otávio Martins de Souza Júnior”, onde estudam 82 crianças entre 4 e 6 anos. “É comum nós encontrarmos lixo, preservativos usados e até mesmo vômito na pia aqui da escola. Eles pulam o muro e vêm ficar aqui também”, disseram funcionários da unidade que, temendo represálias, não quiseram se identificar. Quem reside nas proximidades também é obrigado a agüentar brigas, bagunça e cheiro ruim. “A situação está triste. Não podemos continuar convivendo com essa imundície”, disse uma moradora que pediu para não ser identificada. Ela mora na Vila Santa Cruz com o marido e filhos há sete anos e em casa própria. “A gente investe num lugar para morar e agora vive em total insegurança e com medo.” A sugestão dos entrevistados é para que o imóvel seja alugado novamente, fechado de “maneira decente” ou demolido. Distante cerca de sete quilômetros da Vila Santa Cruz, na Rua Iolanda Kellner Lima, 351, no Jardim Aeroporto I, é outro foco do problema. Uma casa está desocupada há cerca de um ano, depois que os moradores, segundo os vizinhos, foram presos por tráfico de drogas. Eles contam que os móveis acabaram levados por outras pessoas e por parentes dos ex-moradores. O local passou a servir para uso de drogas, depósito de lixo e proliferação de bichos. “O cheiro que vem dali é muito forte. Eles precisam vender esse terreno e fazer uma casa boa para alguém morar porque não dá mais para viver de frente para um lugar encrencado assim”, disse a dona de casa Francisca de Oliveira, 78, que mora há 13 anos numa casa diante do imóvel desocupado. Nos dois casos, os vizinhos procuraram a Prefeitura para solucionar o problema. Ontem, a administração municipal publicou edital intimando os proprietários dos imóveis desalugados para limparem e fecharem os locais em dez dias (leia mais em outro texto). A reportagem tentou localizar os donos das residências, mas não encontrou contatos na lista telefônica ou o telefone estava com problemas. PROBLEMA SEM FIM Outro alvo de reclamações freqüentes da população é o prédio de construção inacabada, no Parque Francal, o “esqueleto”. O abandono do local, que foi construído para ser um hotel, já dura 12 anos e parece não ter fim. A Prefeitura tentou resolver a questão administrativamente, mas não conseguiu. O caso foi transferido para o departamento jurídico. O município já fez intervenções no local, com a retirada de moradores de rua, destruição da escada para impedir o acesso ao segundo andar e construção de um muro, mas não adiantou. Moradores de rua e marginais acabaram quebrando os tijolos para entrar no local. As autoridades já cogitaram a possibilidade de demolir a estrutura, mas, por enquanto, são apenas promessas.

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