Músicas na internet


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Há quem faça música somente batucando em uma caixa de fósforo, como Elton Medeiros. Há quem, como João Gilberto, prefira apenas o violão e a voz sussurrada. Há ainda as bandas de rock, as big bands com seus metais, os grupos de samba com pandeiros e a indefectível cuíca, o Olodum e seus milhares de tambores. Agora, há também quem faça música com alguns cliques no mouse do computador. É a chamada música eletrônica, amada pelos jovens freqüentadores de baladas e raves pelo País. E Franca, embora seja um celeiro da música sertaneja, também tem seus representantes e amantes dessa música. Um deles é o DJ Diovanni, 31, que prefere não revelar o nome de registro para evitar confusões. Apaixonado por música desde pequeno, começou a atuar profissionalmente como DJ em 1990, fazendo festas na cidade e região. Hoje, ele já não se contenta apenas com festas locais. Sonha alto e sente que seus sonhos podem ser realizados. O motivo para tanto otimismo é simples e também está ao alcance de um clique, juntamente com alguns dólares. Mais precisamente, US$ 1,99. É o que custa a música Like This, composta por ele, que está à venda no site Beat Port (www.beatport.com), considerado o maior portal de downloads em MP3 da internet. Nesse mesmo site é possível encontrar músicas de DJs importantes do País, como Renato Cohen, Murphy, Anderson Noise, Marky e Patife, e do mundo, como Void, X-Noise e Astrix. Diferente do que acontece com as músicas comuns, a eletrônica normalmente é lançada primeiro em MP3 para depois sair em CD, ou então em vinil (muitos DJs usam os antigos bolachões para fazer discotecagem). Diovanni teve como parceiro nessa música o DJ francês radicado na espanha RPO (Rick Pier O Neil). Assim como a música, o contato foi todo feito pelo computador. Os dois se conheceram pela internet e Diovanni mandou uma música para ele. O francês/espanhol gostou da batida do francano e propôs que reformulassem a música em conjunto. Mas, se ele gostou, por que reformular? “Os europeus têm um padrão de música. Como eu sou brasileiro e não sou conhecido lá fora, eles não vão investir em mim logo de cara. Então, mudamos a música juntos e, agora, ela leva a assinatura dos dois. Fizemos um remix da música original”, explica Diovanni. Mas isso não aconteceu em um “piscar de olhos”. Diovanni começou a tentar um contato com RPO em 2003 e só teve uma resposta no ano passado. O resultado final, um pouco diferente do original, agradou ao DJ. “Agora dá para acreditar que posso estar no meio deles, dos grandes DJs do mundo”, disse ele, que ainda pretende tocar fora do Brasil e também no Skol Beats (maior evento de música eletrônica do Brasil). COMO FAZ? Para quem não entende nada de música eletrônica é difícil compreender como se pode criar sons no computador. Mas a tecnologia é realmente surpreendente. Diovanni usa um programa especializado chamado Reason. Lá, ele tem todos os recursos para, literalmente, compor uma música, além de uma série de efeitos especiais que podem ser incluídos nas “composições”. Sons de baixo, guitarra, bateria e teclado estão disponíveis em uma tela. Assim, com alguns cliques e um ouvido bem apurado, ele pode juntar o bumbo da bateira com algumas notas no baixo e montar um som. Também é possível gravar vocais em estúdio e incluir na música final. Tudo sem levantar da cadeira. “Eu não sou músico. Mas tenho um ouvido bom e, por isso, a facilidade para lidar com esse tipo de música”, diz.

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