Preso tenta golpe do cartão em Franca


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Um detento que usa o golpe do cartão para obter créditos para celulares conversou ontem com o Comércio e a rádio Difusora AM (1030 kHz) e deu detalhes sobre o esquema. Recolhido em um presídio não identificado, ele confirmou que liga para as vítimas todos os dias com o objetivo de obter os valores . Somente em Franca e região, já são mais de 20 ocorrências registradas pela polícia desde o começo deste ano. Em média, cada vítima perdeu cerca de R$ 600. A reportagem chegou ao estelionatário por meio do número do telefone que ele deixou no celular de uma comerciante. Quando o repórter se identificou como jornalista, ele tentou dissimular. “Não sei de que está falando. A Brasil Telecom é uma empresa séria”. Convencido de que o golpe havia sido descoberto, foi arredio e não quis saber de conversa. “Nós somos do PCC (da facção criminosa Primeiro Comando da Capital), de uma quadrilha que age no Estado. O senhor desliga o telefone e não queira tratar de negócio de jornalismo, mais não. O senhor não sabe com quem tá falando, pode morrer a qualquer hora”. Diante da insistência, esbravejou. “Sou do crime. Não vou fazer graça, nem mostrar serviços para vocês”, disse o detento, com sotaque nordestino. Depois de muitos palavrões e ofensas, se acalmou. Admitiu que está preso e aplica golpes. “Precisamos carregar o celular para falar com a família. O clima na cadeia está pesado e as visitas foram suspensas”. Ele disse estar detido há cinco anos por causa de estupros. “Violentei duas velhas”. Escolhe números aleatórios e dispara ligações em busca de vítimas. O presidiário teria comprado o telefone na própria cadeia de outro detento por R$ 700. Ele se contradisse várias vezes durante os 20 minutos que conversou com a reportagem. Primeiramente, disse que estava recolhido em Guarulhos. Depois, falou que era detento no cadeião de Pinheiros, em São Paulo. Também apresentou dois nomes distintos. Antes, ele havia dito à rádio Difusora AM que estava em Presidente Bernardes e usava os créditos para adquirir drogas e armas. Pelo barulho de vozes ao fundo, acredita-se que ele esteja em alguma cadeia. O código de DDD (Discagem Direta a Distância) do celular do preso é 85, referente à região de Fortaleza, no Ceará. “Nós usamos chip de outro Estado para dificultar o rastreamento”.

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