Com a cara do dono


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Um veículo Mitsubishi Eclipse verde, em alta velocidade, tira o fôlego de quem está na poltrona. Na seqüência, três carros Honda pretos envolvem um caminhão em plena velocidade. Logo depois, a platéia é jogada dentro de um racha com belíssimas máquinas turbinadas. Em 2001, o primeiro longa-metragem da franquia Velozes e Furiosos arrebatava fãs do mundo inteiro e, no Brasil, iniciava uma nova moda entre os jovens que, à época, ainda cultuavam as potências dos sons de seus carros. Era o início da era tuning, expressão norte-americana que tem algo a ver com afinação de carros. É a chamada “arte” de personalizar os veículos mais próximos “à imagem e semelhança” do dono. Em Franca, claro, são muitos os adeptos à chamada “tunagem”. Os jovens são a maioria. Luiz Carlos Trovão, 22 anos, é um dos apaixonados em modificar carros. “Há um ano, ele comprou um Escort do tipo europeu, ano 1994. Pagou R$ 8 mil pelo veículo, mas após sua transformação, não entrega por menos de R$ 16 mil. “Ele (o carro) é meu xodó. Para vender, vão ter que pagar o preço que vale”, disse. O Escort recebeu aerofólio, rodas de liga leve, luzes de neon nos painéis, novos medidores de pressão do ar do motor, contagiros de rotações do motor e velocímetro, além do motor que recebeu um dispositivo turbo. Ainda na parte interna, manopla de câmbio, pedaleiras e tapetes foram substituídos por objetos metálicos cromados. “Ficou com a minha cara”, afirmou Trovão. Deixar o veículo com a cara do dono é a verdadeira idéia do tuning. Mas algumas observações devem ser feitas antes de transformar o seu carro em uma supermáquina. O motor turbo, por exemplo, só pode ser instalado com autorização do Detran, pois há, neste caso, a mudança da potência do motor. “Fiz a mudança exigida por lei na documentação. Não corro o risco de ter meu veículo apreendido”, explicou. OPÇÕES Para “tunar” um veículo, basta ter imaginação. As modificações podem ocorrer na parte interna ou externa do veículo ou em ambos. Bancos, tapetes, rodas, pneus, aparelhos de leitura, enfim, hoje qualquer parte do carro pode ser encontrada para satisfazer o gosto do cliente. Se não tiver, é só mandar fazer. “O cliente sabe quanto quer gastar. Tem gente que põe mais de R$ 70 mil em um carro que vale R$ 30 mil”, diz Rodrigo Chocolate, da SR Veículos, especializada em acessórios para caminhonetes. No quesito interior, por exemplo, os gostos são variados. Para personalizar o estofamento de seu veículo com couro, por exemplo, o cliente gasta de R$ 1.200 a R$ 1.800. “Assinamos o nome do dono, fazemos recortes do jeito que o cliente mandar”, disse Antônio de Pádua da Veiga, dono da Couro e Arte. Há pedidos, no entanto, que não são tão simples. Houve um pedido de uma cliente em Goiânia que beirou o excêntrico. “Ela quis seu fusca com o interior em couro e acabamento nas cores rosa-choque”, disse Antônio que fez o serviço e cobrou R$ 2.600 pela extravagância.

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