O desentendimento entre a empresa de marketing esportivo Romeu Papa e Aulicino com a Francana, em 2000, acabou com a possibilidade de uma parceria forte que poderia presentear os torcedores ao verem o seu time na Série A-1 do Paulista, após mais de 15 anos. O contrato durou de 20 de dezembro de 1999 a 21 de fevereiro de 2000. Um dos ex-empresários, Luiz Felipe Aulicino, falou com o repórter especial Vinícius Araújo sobre a ação, a possibilidade da multa cobrada por ele refletir duramente sobre o futuro do clube e desabafou. “Lamento que essas explicações estejam sendo prestadas seis anos depois. Porque à época, não foi possível dar nosso ponto de vista com relação a esse caso.” A entrevista também será transmitida no Show de Domingo, da rádio Difusora, neste domingo, a partir das 13 horas.
Comércio da Franca - Quais são os planos da empresa com relação a essa ação contra a Francana?
Luiz Felipe Aulicino - Quanto a parte técnica, os nossos advogados estão cuidando. A nossa intenção é executar a sentença a nosso favor. Receber aquilo que nos foi deferido por direito.
Comércio - Após sete anos do caso, o que a empresa exigia com o processo?
Aulicino - Nós firmamos uma parceria e, essa parceria caminhou relativamente bem por um período. Após isso, eu não sei por que razão, a Francana entendeu não mantê-la.
Comércio - Qual foi o motivo pelo qual a empresa decidiu acionar a Justiça?
Aulicino - Para fazer valer uma multa contratual prevista por conta de uma rescisão. A partir do momento em que uma parte deixou de cumprir alguma de suas obrigações ou que houvesse rescisão, haveria uma multa.
Comércio - Algum membro da Francana fez algum comunicado a você sobre o rompimento?
Aulicino - Na verdade, nós todos fomos pegos de surpresa com a rescisão. A Francana passou por três presidentes no período em que estávamos aí. Um deles achou por bem não cumprir com certas obrigações e decidimos reincidir o contrato. Na época, fomos muito mal vistos na cidade e tivemos nossa vida vasculhada. Hoje, seis anos depois, a resposta foi dada.
Comércio - Se lembra qual era o presidente?
Aulicino - Por nome não me lembro, sinceramente.
Comércio - Você continua no ramo de marketing esportivo?
Aulicino - Não. Sou advogado e tenho alguns atletas em diversas modalidades como clientes. Até porque perdemos muito dinheiro com isso (marketing).
Comércio - Quanto vocês perderam em dinheiro?
Aulicino - Isso está com nosso contador, tudo declarado no imposto de renda, mas é perto do que o clube tem que nos ressarcir.
Comércio - Seu sócio, o Sérgio Romero Papa, continua assessorando jogadores?
Aulicino - Não que eu tenha conhecimento. Ficamos muito desiludidos com tudo o que aconteceu. Tínhamos boas idéias para a Francana, fomos nutridos das melhores intenções para a cidade de Franca. Investimos no departamento amador e profissional e havia uma meta de dois anos para atingir a Série A-1 do Paulista.
Comércio - A empresa trabalhava com outros clubes na época?
Aulicino - Não. Foi um projeto desenvolvido para a Francana, exclusivamente.
Comércio - A Francana foi a primeira experiência de vocês?
Aulicino - Como gestores de futebol sim, e quatro meses depois, vimos que não era um bom negócio. Tivemos problemas.
Comércio - Se a diretoria propuser um acordo, vocês podem aceitar?
Aulicino - Uma proposta tem de vir por meio da Francana para nossos advogados.
Comércio - Uma das alegações de vocês para descumprimento do acordo é de que a diretoria da Francana não teria impedido uma penhora de rendas em jogos do Paulista em 2002. Como ninguém pode descumprir uma ordem judicial, o contrato não seria draconiano?
Aulicino - A parte técnica do processo tem de ser discutida com os advogados. Sei que existia uma parceria, em que as receitas do departamento de futebol teriam de ser geridas pela empresa. Nós só arcamos com as despesas, nunca vimos as receitas. Nunca recebemos um centavo.
Comércio - Na cláusula 15 do contrato, previa construção de centros de treinamentos, de fisioterapia e fisiologia e reforma da sede. Nada disso foi realizado.
Aulicino - Era um contrato de dez anos (contratualmente constam cinco). Ele foi rompido em cinco meses (a duração da parceria durou três meses).
Comércio - O processo correu à revelia (sem contestação dos advogados da Francana), mas hoje essa dívida de R$ 350 mil pode até determinar o fim da Associação Atlética Francana. Como você se sente sobre isso?
Aulicino - Sinceramente, eu espero que isso não aconteça. Até porque Franca e a Francana têm uma história no futebol. Tenho certeza de que ela não fechará as portas. Tenho certeza de que não. Tenho certeza de que haverá um bom senso de todos para que isso não aconteça.
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