A dona de casa Nair Penha de Jesus, 36, está sem trabalhar há mais de três meses, desde que caiu no trabalho e a prótese na coxa quebrou e soltou um parafuso. Ela ficou 22 dias de cama; hoje passa boa parte do dia deitada, anda mancando e sente fortes dores no quadril e na perna. Para voltar a andar, segundo o ortopedista lhe informou, depende de uma cirurgia de R$ 15 mil ou deve esperar dois anos para fazer o procedimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “Não agüento mais as dores.”
O problema na perna começou na infância, quando Nair caiu e quebrou o osso. Passados anos, a região do corpo voltou a latejar e, ela, já casada, precisou operar para colocar a prótese. No dia 3 de maio deste ano, a situação se complicou com a queda que teve ao se desequilibrar na banca de pesponto onde costurava. “Fui atendida pelo SUS, recebi tratamento. O médico me passou repouso e remédios e me liberou.”
Nestes três meses que se seguiram, ela engordou dez quilos. “Passo a maior parte do dia deitada com dores”.
Preocupado, o patrão de Nair resolveu pagar uma consulta com ortopedista particular. Após exame e radiografia, a paciente descobriu nesta semana que precisa operar para colocar nova prótese. Na rede particular, a cirurgia e o aparelho custarão R$ 15 mil. “Se eu for para o SUS, que faz de graça, o médico disse que terei que esperar até dois anos”.
Angustiada, Nair apela à comunidade e médicos para o tratamento em hospital particular. Divorciada há três anos, cuida sozinha dos dois filhos, Paloma, 9, e Lucas, 3, com a pensão de R$ 260 e auxílio do governo, de R$ 350. “Minha família também é pobre e não tem como me ajudar.” O aluguel da casa de dois cômodos no Aeroporto III é de R$ 100.
Para aliviar as dores, Nair toma remédios e calmantes para conseguir dormir. Depois que machucou, vizinhos a ajudaram a cuidar da casa e das crianças por um tempo. Agora, mesmo com problemas, ela própria lava roupas, louças e cozinha. “Não tenho quem faça e as crianças não podem ficar sem comer, sem cuidados. Vou apoiando nos móveis para conseguir.”
Nair passa os dias em casa.”Vejo as pessoas andando e fico morrendo de vontade de voltar a caminhar”, disse ela, que seguia para o trabalho à pé e passeava todos os fins de semana. “Era sagrado sair com os meninos todo sábado de manhã para a casa de parentes e só voltar à noite. Tudo que quero é voltar a andar.”
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