O mundo além do calçado


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Berço do calçado masculino, Franca está em processo de transformação e já não produz apenas sapatos. Novos ramos industriais começam a emergir e a mudar o cenário econômico da cidade. São indústrias que produzem de massas a cosméticos para uso profissional, de tintas a roupas íntimas e até mesmo móveis e bijuterias. A mudança começou a se intensificar há cerca de cinco anos, quando as empresas desses setores foram atraídas por mão-de-obra barata e pela completa infra-estrutura urbana. Não há dados exatos de quantas são, quantos empregos geram e a movimentação financeira proporcionada, mas estima-se que a diversificação industrial responda por até 10% da economia de Franca (veja matéria nesta página). Segundo Jayme Barbosa, presidente da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), a cidade tem vocação para o trabalho e está localizada em uma região promissora, com fácil acesso por rodovias estaduais. “Temos um parque industrial em ampliação e farta mão-de-obra barata e disposta a mudanças”, disse. Para ele, os setores de saúde, educação e prestação de serviços foram os responsáveis por esse impulso, e a tendência é de crescimento constante. Odair Tristão, secretário de Governo da Prefeitura de Franca, acredita ainda que muitos descobriram a região de Franca como forte e potencial mercado consumidor e se deslumbram com o sucesso. “Isso é bom, pois muda os nichos da economia. São empresas de pequeno e médio porte, mas com chances de crescimento”, destacou. Por lei, a administração não pode fornecer incentivos fiscais para as novas empresas. “Mas a partir da primeira manifestação de interesse, trabalhamos no sentido de tornar a instalação viável. Como aconteceu com o Carrefour e Wal-Mart, podemos ajudar na infra-estrutura e no fornecimento de informações”, disse Ananias. Outro incentivo, oferecido pela Prefeitura para o aparecimento de novos negócios em Franca, é o programa Incubadora de Empresas, realizado em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). O contrato de dois anos permite que o empresário desenvolva seu projeto com vários respaldos, principalmente na área de logística, vendas e administração. “Muita gente começa assim, ganha experiência e se firma no mercado”, disse Tristão. Com 12 espaços disponíveis, a incubadora está no limite e estuda expansão. Dentro desse processo, empresários e economistas apostam que Franca ainda viverá uma “explosão” na diversificação industrial e o caminho está na educação. “Sempre há empresários interessados em Franca; a maioria é da área calçadista, mas o varejo tem crescido, assim como o setor de serviços. Além disso, em breve teremos um novo campus universitário e, quem sabe, novos cursos”, destacou Jayme Barbosa, da Acif.

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