Na ponta do lápis


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Com lápis e papel, o desenhista Nathan Fuentes, 55, faz sua arte. Trajado de forma confortável, sentado atrás da prancheta, dos lápis e da tinta nanquim, não se incomoda de fazer e refazer cada traço até encontrar o que chama de perfeição. Há 30 anos o desenho faz parte da vida desse artista, que deixou a loucura e violência de São Paulo em busca de um pouco mais de tranqüilidade na terra do calçado. Hoje, dando aulas, ele alimenta o sonho de dezenas de crianças e adolescentes que sonham um dia viver da arte de desenhar. Natural de Marília (SP), Nathan começou a desenhar com 6 anos, copiando as capas das revistas de histórias em quadrinhos que gostava de ler. Com 15 anos foi para São Paulo e saiu em busca de seu sonho. Lá, teve dois mestres dos quais ele faz questão de falar. Um foi Jaime Cortez, português radicado no Brasil que se tornou um ícone da ilustração na década de 70. Entre seus alunos ilustres está o conhecido Mauricio de Sousa. Foi também importante por ser um batalhador pela nacionalização dos quadrinhos diante da invasão dos Comics dos Estados Unidos. “Eu adorava o trabalho do Jaime. Então, fui procurá-lo em São Paulo e disse que não tinha trabalho, se ele podia me ajudar. Aí, ele conseguiu um emprego pra mim na Editora Brasil”, conta Nathan. O outro mestre de Nathan foi o desenhista Ignácio Justo, com quem aprendeu várias técnicas de desenho e a importância de se estudar anatomia para ser um bom desenhista, principalmente das histórias de ação. “Eu estudei muito a anatomia dos seres humanos para fazer os desenhos. Conhecendo isso, o desenho dos movimentos dos personagens fica mais perfeito”, disse. Mas professores renomados, que já possuíam a técnica do desenho, não foram os únicos inspiradores de Nathan. Para fazer as histórias de ação, com cenas de luta, ele usa o conhecimento que aprendeu em treinos de kung fu. “Quando tinha mais ou menos 30 anos, eu freqüentava uma academia de um chinês e, lá, aprendi na prática o que é uma luta. Então, quando desenho seqüências de lutas, elas são bem reais”, diz orgulhoso. Até a publicidade, que foi o ramo em que Natham mais atuou, por ser uma área mais promissora financeiramente, ensinou-lhe coisas que podem ser aplicadas nos quadrinhos. “Na publicidade eu aprendi a trabalhar com ângulos de cinema, o que sempre foi muito importante no meu trabalho de desenhista”, diz. Como se não bastasse toda essa “escola” pela qual Nathan passou, ele ainda teve a oportunidade de trabalhar durante um ano no estúdio de Mauricio de Sousa. Lá, desenhava personagens menos conhecidos do que a Mônica e o Cebolinha, como Nico Demo, Boa Bola e Zé Munheca. Desconhecidos, mas não menos importantes. O Nico Demo foi criado na década de 60, em plena ditadura militar, e era politicamente incorreto. O Boa Bola era exclusivo para tiras de jornal e só falava de esportes. O Zé Munheca também foi feito para jornal e era a personificação do cara miserável, unha-de-fome, que não abre a mão nem para cumprimentar as pessoas. PROJETO FUTURO Apesar de não trabalhar mais em estúdios e se dedicar apenas a dar aulas, Nathan tem um projeto futuro muito bem definido e do qual não desiste nunca. Sua meta é ter suas histórias publicadas no exterior. Atualmente, ele trabalha em busca de traço perfeito no quadrinho que tem como personagem uma agente secreta nazista que desertou, a Hendrikge Stoffels, e um herói brasileiro, mercenário, ainda sem nome. É uma história que se passa no futuro e que ele pretende mandar para o escritório da empresa Art Comics, em São Paulo, que faz um pente-fino e manda os melhores trabalhos para a Marvel/DC (X-Men, Homem Aranha Hulk), nos Estados Unidos. “Infelizmente, os quadrinhos ainda são mais valorizados no mercado externo e, por isso, minha meta é conseguir que algo meu seja publicado lá fora”, disse.

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