‘Proibir motos à noite é folclore’


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O promotor Roberto Tardelli falou para cerca de 600 pessoas no ginásio do Centro Esportivo da Unifran: para ele, algumas leis são irreais
O promotor Roberto Tardelli falou para cerca de 600 pessoas no ginásio do Centro Esportivo da Unifran: para ele, algumas leis são irreais
O promotor de Justiça Roberto Tardelli, que ganhou fama nacional ao atuar no julgamento do Caso Richtofen, ridicularizou, em entrevista ao jornal Comércio da Franca e à Rádio Difusora AM (1.030 kHz), a proposta do delegado seccional de Franca, Mauri de Camargo Segui, de restringir a circulação de motocicletas à noite como forma de combater os ataques de bandidos ligados a facções criminosas. As afirmações foram feitas antes da palestra As emoções humanas e a justiça penal, que proferiu no Centro Esportivo da Unifran (Universidade de Franca), ontem à noite. “Uma proposta dessas acho que entra para o folclore”, disse Tardelli, durante entrevista gravada. “Se não pode motocicleta, então pode bicicleta, skate, patins? Com qual motocicleta eu não posso andar? De qual motociclista estamos falando? Do que tem Harley Davidson (estimada em R$ 60 mil) ou o que tem a CG 125 das mais simples e que anda de camiseta, chinelão e bermuda?”, disse o promotor. Tardelli questionou ainda o fundamento utilizado pelo delegado seccional para propor o “toque de recolher” de motociclistas. “Não o conheço pessoalmente, mas acredito que o delegado seccional de Franca se deixou levar por uma tentação ideológica perigosa. A proposta dele é inócua”, completou. Na entrevista exclusiva ao Comércio, Tardelli também revelou ser a favor da redução da maioridade penal para combater a criminalidade crescente entre os menores de 18 anos, hoje considerados inimputáveis pela legislação. “O menor de 18 anos, quando foram elaboradas as leis penais, era bem diferente do menor que existe hoje, mas infelizmente a lei é a mesma”. MAIS PALESTRAS A Jornada de Direito 2006 da Unifran, que começou com a palestra de ontem do promotor Roberto Tardelli. continua hoje com Newton de Lucca, professor de Direito Comercial da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e desembargador do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que engloba os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Ele abordará aspectos do Código de Defesa do Consumidor. Amanhã será a vez do professor da PUC-MG Mário Lúcio Quintão Soares, cuja palestra tem o título A Teoria do Estado e a Globalização. Os estudantes da Unifran que participarem do evento receberão certificado de extensão universitária.

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