Uma grande porcentagem de políticos pouco se importa com o que os “formadores de opinião” pensam deles. Eles se preocupam, apenas, em agradar a grande “massa de eleitores”. Parece-lhes incrível? Nem tanto! E isso tem uma “explicação de marketing” já que no contexto político o voto de uns e de outros tem o mesmo “peso”.
Então, eu pergunto: você, leitor, já se postou diante da TV como a mais ingênua das criaturas para ouvir o que dizem os candidatos nos horários de propaganda gratuita? Já ouviu sem o mínimo de senso crítico? Pois tente! É incrível como que, em tese, cada um parece ter as respostas para as perguntas e angústias que cada um de nós, como eleitores críticos, nos fazemos cotidianamente.
Vamos aos fatos “dos bastidores” que antecedem “essa encenação”. O início de uma campanha eleitoral está voltada para as questões internas. São as questões relativas à formação de uma equipe, à captação de recursos, às relações com o partido, à instalação de uma sede, às discussões sobre a contratação de um consultor, às discussões sobre a temática da campanha, e outras, mais pertinentes à organização da campanha do que as relações políticas externas.
Concomitantemente é o momento de estudar os adversários e distinguir com a clareza possível os pontos fracos e fortes deles. Auxiliares e voluntários ouvem a população em conversas informais. Também há conversas com cabos eleitorais, com técnicos do partido, com outros políticos, com jornalistas e formadores de opinião. Faz-se uma sondagem, um levantamento, que, embora não possua a precisão da pesquisa, leva o político para além do fácil e descompromissado palpitismo dos que o cercam e, assim, ele é “conduzido” para “o mundo da realidade política” que enfrentará na campanha.
Estuda-se, também, como com muita objetividade e atenção, todos os seus adversários potenciais. Por pesquisa ou pela “operação escuta” o político fica sabendo muito. Este é o trabalho preliminar. Ainda não é pesquisa de investigação do adversário. Esta última é muito mais completa, minuciosa e documental. É um trabalho preliminar para identificar pontos importantes que serão investigados a seguir. Estudar os adversários potenciais é, antes de tudo, identificá-los. Dentre os vários nomes que circulam, alguns não chegarão a ser candidatos.
Estudar o adversário, nesse contexto, significa além de identificá-lo, conhecê-lo. Isto é, saber o que ele está pensando da eleição, do governo, das prioridades da população; quais as pessoas que o influenciam, que o cercam; qual a sua situação dentro do partido - tranqüila ou contestada? Como ele é visto pela mídia, pelos empresários, pelos sindicatos, pelos movimentos etc. Assim, estudar o adversário é também antecipar ações.
Pois todo esse conjunto de procedimentos, e outras mais pormenorizadas, são indispensáveis, em termos de marketing, para situar o político na campanha que virá. Em tempos de ‘políticas profissionalizadas’ (de milhões!) não lhe basta ‘azeitar’ sua máquina de campanha e concentrar toda a sua atenção nas questões internas da sua candidatura. Em paralelo, o político “descobre” o “estado de espírito do eleitor” e “estuda seu adversário”.
Estas informações, obtidas com o máximo de precisão possível, são absolutamente indispensáveis para definir o posicionamento de sua candidatura. E então, depois de toda “lição de casa” muito bem feita o que vemos, na TV, são “as respostas” de tudo que deve (ria) ser feito. Como? Isso não é coisa de campanha, oras!
Bem... se no início estranharam “meu convite” para uma escuta “acrítica” pensem no quanto isso pode ser “ valioso”, como “exercício”, para entender o voto popular. Creiam: é assim que o eleitor “apolítico” vê seu candidato. Eles escolhem aquele que fala (bonito!) aquilo que ele, leitor, deseja ouvir. E os políticos, espertos, sabem disso. Coisas de marketing!
ANGÉLICA OLIVEIRA RISSI é jornalista, pós-graduada em história, MBA em administração, Executiva Internacional pela Universidade de Ohio
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