No estilo dos antigos tropeiros, uma turma de empresários, comerciantes e agricultores de Franca e Ibiraci-MG segue hoje para uma viagem até a terra do rodeio, Barretos, distante 180 quilômetros. O trajeto será percorrido no lombo de mulas e burros com direito a churrasco, arroz carreteiro, berrante e muita cerveja.
A comitiva de 14 pessoas sairá da Casa Seca (na Rodovia João Traficante) e cavalgará pela Rodovia Fábio Talarico até o recinto da 51ª Festa do Peão. Serão 60 quilômetros no primeiro dia, 80 no segundo e 40 quilômetros no último dia. A estimativa é andar cerca de dez horas diariamente. “O que nos move é a paixão por mulas, é uma forma de esquecer os problemas, de se desligar do dia-a-dia”, disse o organizador Carlos Antônio da Silva, 33, que realiza o passeio pelo segundo ano consecutivo.
Em Franca, a população poderá ver a trupe nas Avenidas Santa Cruz, Doutor Alonso y Alonso, Rio Amazonas e Santos Dumont. “O mais novo integrante tem 12 anos e o mais velho 40. Já as mulas são animais resistentes, marchadores que agüentam o tranco”, explicou Silva. De carro, o percurso é realizado em, no máximo, duas horas. De mula, serão três dias de caminhada.
Para servir como aparato na viagem, um caminhão boiadeiro acompanhará os participantes. Além do motorista, haverá um cozinheiro e uma reserva de quatro mulas. No seu interior, terá também um estoque de 400 litros de água, 15 quilos de ração, 30 quilos de carne para churrasco e 700 latas de cerveja. Os pousos e banhos acontecerão em sítios à beira da estrada.
Segundo Carlos Antônio, o dia dos muleiros começará às 5 horas e só se encerrará com o cair do sol, às 18 horas. Haverá duas horas de almoço para descanso da tropa. Os animais farão três refeições ao longo do dia e duas paradas para água. No fim do dia, ainda ganharão um banho e uma camada de salmoura para aliviar a tensão no lombo. “As mulas são originárias do cruzamento de jumento e égua, por isso são mais resistentes e conseguem andar até 16 horas tranqüilamente, sem dores. De trote suave, também não há prejuízos para o homem”, adiantou.
Boa para o serviço de carga e sem as “frescuras” de um cavalo, cada mula recebe uma tralha, enfeite para adornar o rosto do animal, pelego (pano grosso e dobrado ou uma pele de carneiro) e o arreio, indispensável na montaria. “Não é uma diversão cara. Cada um dos participantes gastará cerca de R$ 300 com a cavalgada”, revelou o organizador.
OUTRAS AVENTURAS
Integrante da Comitiva Caubóis da Estrada, Carlos Antônio da Silva, 33, é empresário e nutre uma paixão por mulas inexplicável. “Cuido mais dela do que de mim”, disse em referência a Princesa, o organizador do 2º Encontro de Muares, que reuniu mais de 300 pessoas em novembro passado. Silva promete mais uma edição para 2006 e uma viagem para Aparecida. “Também temos fé e queremos ir de mula até a Basílica de Nossa Senhora para agradecer”. A previsão é de que a cavalgada ocorra em dezembro e dure nove dias.
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