A reunião no Parque do Horto, realizada na manhã de ontem, serviu como incentivo adicional para que mutuários do bairro ingressem com ações na Justiça para reavaliar as prestações. Alcides Marini, perito judicial, esteve no bairro, ouviu e orientou moradores.
O perito já avaliou mais de 20 mil casos de mutuários em todo País e disse com convicção que a Cohab (Companhia Habitacional) de Ribeirão Preto extrapola seus direitos. Segundo ele, há inúmeras irregularidades no contrato entre moradores e a companhia. “A mais preocupante é a que diz respeito ao valor das prestações”, disse.
Alcides Marini garantiu aos moradores que o problema tem solução, mas que a iniciativa deve partir de cada mutuário. Ele disse que cada caso tem uma peculiaridade. Porém, as prestações estão todas em valores elevados, até mesmo daqueles que pagam em dia.
Este é o caso da dona de casa Maria Vitor Macedo, 46. Ela mora há nove anos no bairro e sempre pagou em média R$ 200 de prestações. Hoje a prestação está em torno de R$ 300 e ela se diz sem condições de pagar.
O advogado Márcio Alexandre Porto, que acompanhou Alcides Marini, explicou que ela pode requerer a redução e fazer o depósito em juízo. “Somente assim ela não vai correr risco de sofrer uma ação de despejo, já que após três meses de inadimplência a Cohab tem o direito de fazer a reintegração de posse”.
Os mutuários garantem que vão recorrer e se animam ao conhecer o caso de Rosana Packer, 42. Ela é uma das poucas moradoras do bairro que conseguiram reduzir as prestações. Rosana pagava prestações de R$ 375 até que ganhou a ação na Justiça e hoje paga R$ 30. A Cohab recorreu, mas nos boletos as parcelas continuam reduzidas. “Os moradores não podem desanimar”. O Parque do Horto tem 1.059 moradias. Estima-se que a inadimplência chegue a 80%.
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