Tem executivo no campo


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Tal qual o médico, que tem a prerrogativa de receitar medicamentos aos seres humanos, o engenheiro agrônomo é quem tem autorização para assinar receituários agronômicos, receitando inseticidas, fungicidas, acaricidas e outros agrotóxicos - remédios para os males das culturas -, obedecendo quantidades por hectares a serem usadas para o “tratamento”. Também é função do agrônomo orientar os agricultores e se responsabilizar pelo uso correto e consciente de tais produtos químicos. Calcular qual o percentual de PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total) para se chegar à quantidade de calcário a ser aplicada em determinada área de uma fazenda para, assim, alterar o teor de acidez do solo, também é trabalho do engenheiro. Mas, além destas atribuições da profissão, que está diretamente associada à terra no inconsciente de muita gente, existem outras, que tornam-a tão atrativa quanto qualquer uma. O recém-formado Giovane César Fernandes Almeida, 25 anos, pela Fafram (Faculdade de Agronomia “Dr. Francisco Maeda”), é um exemplo de que nem tudo na agronomia está na terra, apesar de estar direta ou indiretamente ligada a ela. O jovem pretende ingressar na carreira de georreferenciamento. “É um campo novo, no qual muita gente que não se atualizou perdeu espaço para quem percebeu a mudança tecnológica. Já fiz estágio relacionado com o assunto e me sinto preparado para o mercado de trabalho”, disse Giovane. O profissional também não está inserido na “regra” de que todo o estudante de agronomia tem de ter “nascido” na terra. “Meus avós tiveram um pequeno pedaço de terra, mas não fui influenciado por isso. O bom desempenho do agronegócio nos últimos anos, apesar do desempenho ruim de uns tempos para cá, foi fundamental para a minha decisão”, disse ele. O MUNDO LÁ FORA Quem já está no mercado de trabalho garante, pelo menos em parte, a veracidade das afirmações do estudante recém-formado. Para o gerente de vendas de café da Cocapec (Cooperativa dos Cafeícultores e Pecuaristas da Região de Franca), Anselmo Magno de Paula, mercado de trabalho tem, mas hoje em dia, a exigência por qualificação é bem maior. “Não basta apenas uma boa faculdade. O profissional que oferece um diferencial tem maior probabilidade de ser absorvido no mercado”, disse o engenheiro agrônomo formado pela Unesp de Jaboticabal, uma das melhores do País. Para o coordenador do curso de agronomia da Fafram, Vinícius Antônio Maciel Júnior, não há mágica para o sucesso do profissional. Para fazer diferença, é imprescindível que o profissional amplie seu currículo, tenha fluência em outras línguas, faça pós-graduação e especializações. “É o mínimo que o mercado competitivo exige”, disse. Com uma duração média de quatro anos e meio, o curso de agronomia confere habilitação profissional de engenheiro agrônomo, com atribuições e competências regulamentadas pelo Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) e fiscalizadas pelos Crea’s (Conselhos Regionais) em cada Estado. “O engenheiro agrônomo pode atuar tanto no setor público quanto no setor privado. Podem ser citadas como exemplo as indústria de alimentos, instituições financeiras e bancárias, ministérios e secretarias de agricultura e meio ambiente, etc.”, explica Vinícius Maciel.

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