Nulo é o voto nulo


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Diante de tantas campanhas pelo voto nulo, precisamos pensar um pouco mais sobre o assunto, aproveitar o período eleitoral para formar uma opinião melhor para o país e para nós mesmos. Passamos o último ano surpreendidos com os escândalos do Mensalão e, agora, dos Sanguessugas da Saúde. E, para piorar, a absolvição descarada dos “mensaleiros” pegos. Muitos defensores do voto nulo afirmam que se votos nulos e brancos somarem mais que 50% do total a eleição é anulada e os candidatos que concorreram são impedidos de disputar o cargo novamente. Mentira! O Código Eleitoral prevê que, se mais da metade dos votos forem nulos, será convocada nova eleição (art. 224 da Lei Eleitoral 4.737, de 15 de julho de 1965) no prazo de 20 a 40 dias. Mas não há dispositivo legal que proíba os candidatos de concorrer de novo. Também os votos em branco não vão para o candidato mais votado. Assim, votar nulo é delegar a outros que façam a escolha. Ou seja, os votos “comprados” passam a ter mais força já que os candidatos desonestos terão mais chances de ter mais votos que os bons candidatos. Quem votar nulo achando que está prestando um serviço à sociedade estará ajudando a eleger gente desonesta. E o voto é o instrumento da democracia e o que temos hoje é resultado da conquista da participação de cada um de nós. Por isso, devemos ainda mais lutar para melhorar nosso sistema, nossa liberdade, nossas leis. Temos que ter claro que tudo passa pela política. Tivemos muitos sábios a nos ensinar. Especialmente Bertold Brecht que nos lembra o custo de vida, o preço do feijão, do peixe da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. E que é da ignorância política que nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o lacaio das grandes empresas nacionais e multinacionais. Por mais que você negue e não queira enxergar, o futuro está em suas mãos, ou melhor, nas nossas, melhor ainda, da maioria. Afinal, é o voto que define nosso país, pois ele reflete a nossa política. E se há quem vota mal, quem deveria esclarecer a essas pessoas? Você mesmo! Se assim não for, quem você julga responsável pela má política será você mesmo. O próprio Papa João Paulo II quer a Igreja participando da política. Participar através de seus fiéis. Ou seja, é preciso que os cristãos católicos mais preparados ocupem os cargos eletivos e promovam uma verdadeira justiça social.Vemos tanta gente militando em ONG que promovem a paz. São jovens trabalhando gratuitamente para crianças, combatendo a violência e as drogas. Como contraponto, vemos políticos que posavam de honestos, exemplares para a honestidade e lá estavam eles flagrados por câmaras, documentos e dólares na cueca... Se todos fossem de verdade profissionais, cidadãos íntegros, e imparciais como apregoam nas linhas e entrelinhas, com certeza nosso país seria muito melhor. Que a vergonha e o desprezo da sociedade caiam sobre os judas de nossa comunidade! Para cumprir a missão que o Papa confiou, não basta que às pessoas honestas se candidatem, é preciso organização. Ou seja, o candidato deve surgir dentro de um grupo forte que será o apoio e o avaliador desse candidato. Quem não tem um grupo de pessoas inteligentes e combativas, que não atrapalhe. E como tem gente que não desconfia do papelão e desserviço que presta à Nação! Se o seu dicionário tem palavras como saúde, emprego, crescimento, segurança, educação, habitação, menor abandonado, transporte e corrupção, então é preciso buscar a solução. E a solução desses problemas passa necessariamente por participação, especialmente na eleição. MARIO EUGENIO SATURNO é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano.

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