Plantar mudanças e colher bons frutos


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O mundo ainda está atordoado com a recente onda de intensa violência e intolerância no Oriente Médio. Esse conflito milenar causa, tristemente, mais uma disputa bélica que, além de incontáveis danos materiais, deixa como rastro o massacre de inúmeras vidas humanas. É incrível que, no século XXI, após tantos avanços da humanidade, guerras ainda façam parte do cotidiano. Infelizmente muitos outros países, tantos os desenvolvidos como os demais, enfrentam igualmente ondas de enorme violência. O Brasil, lamentavelmente, é um deles. Na periferia das nossas grandes e ricas metrópoles, contabilizamos diariamente um número maior de baixas de jovens pobres assassinados do que em todas essas guerras que acompanhamos à distância, por intermédio da mídia. Temos vários recordes vergonhosos. Não perdemos para ninguém em trauma e violência. Nossos índices são contundentes, há muitos anos. Tendem a piorar agora com a guerra urbana e as diferenças sociais crescendo cada vez mais. A profunda corrupção estimula os desvios de caráter. Hoje nem sabemos a real dimensão da falta de ética nas instâncias de poder. Guerras e criminalidade sempre houve, o que assusta mais, neste momento, é a incrível perda de valores da nossa sociedade. Especialistas e militantes de inúmeras ONG’s têm se proposto a recuperar jovens que caíram na delinqüência, vítimas do tráfico de drogas, por exemplo. Nesta batalha confirmam, na maioria dos casos, há associação íntima do crime com a degradação familiar e ausência do pai. A história mostra que devemos incluir sempre, que após as grandes crises ocorrem incríveis avanços da humanidade. É isso que devemos esperar, mas não de braços cruzados. Como reverter o incrível círculo vicioso da corrupção e dos crimes que tanto desanima? Existe o exemplo de países que protagonizaram grandes viradas, investindo na área social, e, especialmente, em educação de verdade e de qualidade. Com responsabilidade o Estado pode e deve modular esse processo, garantindo financiamento efetivo para a saúde, segurança, educação, assistência social... É necessário estabelecer uma política de valorização adequada para os funcionários desses segmentos e priorizar a eficácia na formação do brasileiro, inclusive dos atualmente excluídos, para alcançar um novo status de nação. Todos temos de romper com o desânimo moral desta má hora, registrando nossa indignação e empreendendo ações para a construção de um Brasil mais justo e digno. Também nós, os médicos, que sempre nos envolvemos intensamente com a luta por mudanças sociais que beneficiem a comunidade. Nesta eleição, aliás, devemos usar nossa força para potencializar candidatos que estejam comprometidos com essa causa, nomes que estão de fato ao nosso lado, para transformar o Brasil do presente e colher bons frutos agora. JORGE CARLOS MACHADO CURI é presidente da Associação Paulista de Medicina

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