Dias muito quentes e madrugadas frias, falta de chuvas, céus limpos e azuis e umidade relativa do ar baixíssima. As condições do clima em Franca permitem comparar a cidade ao Deserto do Atacama, no Chile. Naquela região, a umidade do ar é de 7% em média. Os níveis de Franca são um pouco maiores, mas deixam o clima muito seco e preocupam autoridades de educação, saúde e meio ambiente.
Ontem, por volta das 15 horas, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) chegou a registrar na cidade o índice de 14%, o menor índice marcado em todo o Estado de São Paulo no período. “A umidade varia muito. A entrada de ventos de uma massa de ar seco e quente sobre Minas Gerais e Goiás provocou a queda brusca para 14%. Mas está muito, muito seco em Franca”, disse a meteorologista Neide Aparecida. A média marcada à tarde foi de 20% e a previsão é de que os índices fiquem entre 20% e 25% nesta quarta-feira.
A baixa umidade facilita aparecimento de viroses e provoca irritações na garganta, ressecamento das mucosas, ardência nos olhos e sangramentos no nariz. Para evitar problemas com os baixos teores, as escolas mudaram a rotina. Nas aulas de educação física, no lugar de futebol e vôlei nas quadras, entram jogo da memória, xadrez e outras atividades educativas debaixo das árvores, em locais cobertos ou nas salas. Até ontem, a Secretaria Municipal de Educação não havia recebido comunicado para suspender as atividades.
A Defesa Civil também está atenta ao clima no Estado de São Paulo e vem monitorando os índices e passando recomendações gerais à comunidade. Segundo o tenente Rodrigo Quintino, diretor da divisão de comunicação social da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil, as pessoas devem umedecer os ambientes com bacias de água, toalhas molhadas na cabeceira da cama, umidificadores de ar, evitar atividades físicas em períodos de sol forte, das 11 às 17 horas, beber bastante líquidos, comer frutas e limpar os olhos com solução fisiológica para evitar irritações.
A queima da cana em cidades que registraram umidade menor que 15%, como Ribeirão Preto, que anteontem ficou com índice de 4,8%, também está proibida desde segunda-feira. Em Franca, a suspensão foi comunicada após registro de 14% de umidade relativa do ar. A prática está suspensa em qualquer horário e os que descumprirem a determinação serão penalizados. A fiscalização é feita pela Cetesb.
SECURA
O clima seco no inverno é comum, mas neste ano a situação se agravou pela presença de uma onda de calor que bloqueou a passagem de frentes frias nos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul durante semanas e pela falta de chuvas. Faz 53 dias que não chove na cidade (desde 30 de junho). O chuvisco do último domingo nem foi registrado pelos aparelhos do Inmet. “As frentes frias que aliviariam os problemas têm passado muito rapidamente sobre Franca. Elas dão apenas uma ‘lambida’ nas cidades do interior.”
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