Credibilidade


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Perante o povo brasileiro, as instituições políticas do País estão perdendo a credibilidade. Em nossa democracia, implantada sob encomenda, a punição antecipa o tratamento pela educação e o povo não sabe exatamente quem, como e por que os representa, o que confere um grau de responsabilidade maior aos representantes. Após a aquisição praticamente comercial de votos, é módico o diálogo entre os governantes e a população, impostos abusivos deixam o povo insatisfeito, a inércia no tratamento à delinqüência deixa civis e militares estarrecidos, recursos estratégicos são privatizados. Isso sem comentar os clichês da corrupção (marajás, sanguessugas), que deixaram de ser exceção nas notícias sobre política brasileira. As instituições democráticas têm mostrado os desajustes com a cultura política no Brasil. Oferecem-se pacotes de soluções políticas que não correspondem à cultura local; integra-se o país por meio de instituições inadequadas à real situação e entrega-se o poder nas mãos de uma elite que sabe unicamente lidar com a máquina burocrática e chegar até ela. O pesquisador chileno Norbert Lechner questiona se, na América Latina, o enraizamento afetivo da democracia pode ser acolhido e expresso pela institucionalidade democrática, ou seja, se as instituições e projetos democráticos, necessariamente formais, podem dar conta do sentimento de comunidade como sua base subjetiva de legitimidade. Programas assistenciais do tipo “Criança Esperança”, cuja finalidade é nobre, põem-se numa posição de destaque nacional no combate a problemas que deveriam ser atribuição do governo, que, por sua vez, é criticado por não prestar contas à população do que faz com o dinheiro público. Onde vai parar o dinheiro dos impostos? O espaço público era visto como de conflito e consciência crítica, embora haja, nestes últimos tempos, uma perigosa convergência para o consenso gerada por novos mecanismos de controle do mesmo, cujo Estado é agora interpretado como ineficiente ou em crise. Entretanto, isto acarreta um problema gravíssimo para o país, pois, se o povo perde a credibilidade no próprio governo, e conseqüentemente em seus representantes, então o Estado pende para o lado da ilegitimidade de suas instituições. Para tomar um exemplo mais extremo, os Estados Unidos não conseguiram estabilizar o Iraque após a deposição de Saddam Hussein e a implantar a democracia, o que se comprova pelo caos político e social em que ainda se encontra aquela região. É claro que, no Brasil, a democracia obteve mais êxito desde sua implantação, mas até que ponto? A pergunta a que se chega é: quanto a nossa credibilidade é capaz de tolerar? Quem rouba dinheiro público nada entende de pobreza, fome e abandono; quem ordena uma guerra o faz porque nunca estará num front de batalha; e quem reprime tem pouca noção do que seja a educação e seu efeito transformador. Assim se reflete de maneira geral, embora eu acredite que, no caso do Brasil, uma reforma em seus quadros burocráticos e ideológicos poderá trazer maior credibilidade em relação a seu governo e suas instituições. Resta saber como. BRUNO LOUREIRO é estudante de Relações Internacionais na Unesp

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