Domingo, em cidade pequena, tem a praça central cheia de gente, mas em Claraval (MG), neste fim de semana, o dia 20 era diferente. Dia em que é comemorado o padroeiro da cidade, São Bernardo Abade, teve corrida hípica e era realizado uma quermesse, o evento religioso mais importante do município, que se movimenta em volta do Mosteiro Cisterciense construído há mais de meio século. A região é o berço das corridas hípicas, que foi criada na cidade por Dom Carmelo e um grupo de pessoas em 1953, para promover a união das pessoas e das famílias em um programa único e em uma cidade, tipicamente interiorana, sem muitas opções. Deu tão certo que o esporte passou a se espalhar por Cristais Paulista, Ibiraci (MG), Cássia (MG), Patrocínio Paulista e Franca.
As regras, complexas, não são de domínio público. O que talvez chame mais a atenção é ver a relação homem/animal, que gera adrenalina por causa da velocidade dos animais e audácia de alguns cavaleiros saltando de cavalos em movimento e voltando a montá-los.
E por toda essa história, a prova realizada na cidade, entre o clube hípico local e o Nove de Julho tratava-se de uma das mais importantes disputas da temporada deste ano. Soma-se a rivalidade entre os oponentes e a realização da 53ª Taça São Bernardo Abade, a “mãe” do atual torneio.
Chegando à praça de Claraval, há cavaleiros e seus cavalos. Alguns apenas passeando, vindos da região chamada Casa Seca, próximo a divisa entre Franca e Ibiraci.
No campo do clube, uma hora antes da competição, há carros, a maioria com placas francanas, e o caminhão que transporta os animais do Nove de Julho, que tem sede no Paiolzinho, um conjunto de chácaras.
O público, no total de 1.600 pessoas, chega aos poucos. Uns de carros, há modelos importados, outros fabricados na década de 70. Um menor número encara uma caminhada de cerca de 1,5 quilômetro, distância entre o Centro da cidade e o campo do clube.
As torcidas, uniformizadas, se encontram e não têm setor A ou B, todos assistem juntos. “É uma tradição, você vê os amigos e não há tumulto como existe no futebol”, disse Maurício Bizzi, leiloeiro oficial da quermesse da cidade.
Mas como em qualquer outro esporte, existem vitoriosos e derrotados. O Nove de Julho ganhou do Claraval e levou a Taça e os dois pontos da competição. Outras quatro corridas, com um pouco menos de glamour por causa do dia de São Bernardo Abade, também aconteceram. O Três Colinas venceu o Cristais Paulista, o Patrocínio ganhou do Ibiraci e o Areia bateu o Franca no sábado.
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