Crise calçadista prejudica venda de veículos


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Com a carteira em mãos, Márcio Azzuz, dono da Fox Veículos, mostra o resultado das vendas em 2006: “Meus clientes são empresários e funcionários calçadistas”
Com a carteira em mãos, Márcio Azzuz, dono da Fox Veículos, mostra o resultado das vendas em 2006: “Meus clientes são empresários e funcionários calçadistas”
A toada de problemas vividos pelo setor calçadista e agregados, espinha dorsal da economia francana, respinga em outros ramos. O mercado frio com o baixo valor do dólar, queda nas exportações (entre janeiro e abril de 2006, a cidade exportou 21,97% de pares de calçados a menos que no mesmo período de 2005) e poucos pedidos fechados pelas indústrias afetam a venda e troca de veículos. Dos 14 estacionamentos e concessionárias consultados pela reportagem, metade atribuiu os prejuízos à má fase das fábricas de sapatos e afins. Flávio Gomes, dono do Mônaco Veículos, fala até em fechar a loja. Em 2005, vendia em média 15 carros ao mês. “Agora saem três e olhe lá.” Três estabelecimentos, que não tiveram queda no número de vendas, não dependem de clientes ligados ao setor coureiro calçadista. Afetada pela crise, a FOX Veículos, na Avenida Doutor Hélio Palermo, deixou de vender dez carros por mês. “Dependo do setor. Meus clientes são empresários e funcionários calçadistas”, disse o dono Márcio Azzuz. Os negócios no estacionamento Maurinho também estão diretamente ligados ao momento industrial de Franca. Dos dez veículos vendidos pela loja, sete são para trabalhadores do ramo calçadista. As vendas no Fortis Veículos, loja com 13 anos de atividade, estão em queda e o pouco volume de negócios em agosto foi de clientes da região. Até o último dia 15, o proprietário Heliton Goulart, vendeu três automóveis para moradores de Rifaina, São José da Bela Vista e São Joaquim da Barra. “A coisa está feia. O mercado está totalmente travado, pois tudo em Franca gira em torno dos calçados.” A esperança dos revendedores está nos negócios do segundo semestre, com o pagamento do 13º salário e Natal e no investimento em estratégias, como feirões e propagandas. SOBREVIVENTES Apesar do momento delicado vivido pelo pilar da economia de Franca, há quem comemore as vendas de carros de 2006. São lojas que migraram para outros nichos de consumo, cujas rendam independem do mercado calçadista. Com 120 novos e seminovos vendidos ao mês neste ano, a Concessionária da Volkswagem, Francauto, é uma das exceções a festejarem os negócios com professores, comerciantes e profissionais liberais. “Esses são nossos clientes. Estamos bem e vendendo mais que em 2005”, disse a vendedora Adriana da Cunha, que revende, principalmente, Gol e Fox bicombustíveis com preços entre R$ 25 mil e R$ 35 mil e Corsa e Gol seminovos por até R$ 20 mil. As empresas apostam na diversificação do emprego na cidade. A instalação do Carrefour, Wal-Mart, C&A, C&C, Seller e a construção civil nos últimos meses resultaram em mais de mil vagas no mercado de trabalho.

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