Que papo é esse de novos planetas?


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O sistema solar pode ganhar mais três planetas na quinta-feira. Não, nenhuma bolinha nova vai começar a girar em volta do Sol. O que pode mudar é apenas a posição “oficial” dos cientistas quanto aos corpos celestes, e em breve, os livros didáticos. Em Praga, capital da República Checa, 2.500 cientistas, membros da IAU (União Astronômica Internacional) votam uma nova definição de planeta. Se o conceito de “planeta” mudar, três novos corpos celestes se somarão aos nove integrantes do seleto grupo de planetas do nosso sistema solar, a saber: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, Plutão. Os candidatos são: Ceres, asteróide situado entre Marte e Júpiter; Caronte (o melhor amigo de Plutão) e 2003/UB313, provisoriamente apelidado de Xena. Esses três corpos celestes foram descobertos recentemente, mas existem há tantos milhões de anos quanto os nove clássicos ou até mais. Atualmente, o conceito de planeta é “objeto mais ou menos esférico, sem luz própria e que gire ao redor de uma estrela (no caso de nosso sistema solar, o Sol), com pelo menos 2 mil quilômetros de diâmetro”. Tamanho ainda é documento. Uma nova definição de planeta que está sendo discutida pode promover Ceres, Caronte e Xena, mas deixa Plutão na berlinda, que volta a ter o status questionado. O planeta não tem estabilidade no “emprego” desde que foi descoberto em 1930, pois muitos o consideram pequeno demais e redondo de menos. O desenhista e professor de física do cursinho Mais Vestibulares, Alan Tobias Rodrigues, no melhor estilo Einstein, acha que a questão é relativa. “A física e a astronomia, como quaisquer outras ciências, não são exatamente ‘exatas’. Pois nenhuma ciência estuda a Natureza em si, mas sim as percepções humanas sobre a Natureza. O olhar humano é míope, pois todo e qualquer homem é limitado por seus sentidos. O que a ciência faz são julgamentos e interpretações sobre apenas o que os cinco sentidos humanos (visão, audição, tato, paladar e olfato) podem captar”. Para Alan, os mais modernos telescópios e sondas espaciais estão a serviço dos sentidos humanos. “Quanto mais o ser humano inventar tecnologias e aparelhos que captem informações sobre o universo, mais expandiremos a capacidade de nossos sentidos. No futuro, mais e mais planetas podem ser descobertos e classificados.” Pode-se concluir, a partir das palavras de Alan, que o universo é tão grande quanto a curiosidade e engenhosidade humanas. DE SEGUNDA CATEGORIA Outra questão que deve ser votada pelos cientistas da IAU é a criação de uma subcategoria de planetas, os chamados de “plútons”. Eles seguem a definição clássica de planeta, mas estariam na “segunda divisão” por um pequeno detalhe: ter órbitas mais longas, inclinadas e não-circulares. Plutão, Xena e Caronte estariam na segundona. Outros 12 corpos celestes (Santa, 2005/FY9, Sedna, Orcus, Quaoar, 2002/TX300, 2002/AW197, Varuna, Íxion, Vesta, Palas e Higia) aguardam julgamento em liberdade e podem ganhar esse status. Muitos outros podem vir a ser descobertos com o avanço da ciência, para azar das crianças, que têm que decorar os nomes dos planetas do sistema solar para passar de ano em ciências. Mas isso deve demorar, garante o professor Alan. “Há muitas descobertas da Física moderna que já deviam ter chegado aos currículos escolares, mas os gestores da Educação no Brasil parecem resistentes ao novo”, afirma. Mas não diga que os planetas são inúteis. Júpiter, por exemplo, por ter todo aquele tamanhão, tem um campo gravitacional fortíssimo e já salvou a raça humana diversas vezes atraindo para si asteróides que poderiam se chocar contra a Terra e nos ferrar como ocorreu com os dinossauros há 65 milhões de anos.

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