Sexta à noite. O casal, em trajes íntimos, se anima, entra na internet e procura esquentar a relação com uma terceira pessoa, seja ela homem ou mulher. O encontro, virtual, ocorre em sites de relacionamentos, principalmente no Orkut, além do MSN Messenger (programa de bate-papo). E-mails e tefonemas são trocados e, posteriormente, a tela do computador é abandonada e o encontro se torna real.
Em Franca, o número de adeptos a encontros sexuais com pessoas desconhecidas têm aumentado gradativamente. Com a dificuldade em controlar quem pode fazer parte destes grupos, como crianças e jovens com menos de 18 anos, autoridades e psicólogos estão em alerta. Há mais de 20 comunidades dedicadas a sexo no Orkut que mencionam Franca e a grande maioria aborda os encontros com objetivo sexual com naturalidade. São mais de 1,3 mil pessoas envolvidas. Nos tópicos de discussões, os internautas descrevem suas características e até fornecem número de celulares. Homens que procuram mulheres e vice-versa, casais que procuram outros casais, homossexuais e bissexuais são fáceis de encontrar. Eles se relacionam abertamente, fazem declarações e colocam fotos de nu para apreciação dos interessados.
Com 325 membros, a comunidade Suruba Ribeirão Preto-Franca é uma das preferidas e a porta de entrada para o submundo do sexo na cidade e municípios vizinhos. Basta uma rápida navegação pela página para descobrir locais propícios para um ‘amasso’ a dois, três ou quem sabe com um grupo de pessoas dispostas a uma orgia sexual.
Nomes fictícios e fotos de personalidades são comuns nessas comunidades. Existem também pessoas que tiram seu sustento desses encontros: os garotos ou garotas de programas. Travestis, transexuais e drags queens são outros freqüentadores que lotam as páginas.
Comunidades grosseiras como Putarias em Franca, Mulheres Casadas, Vadias de Franca e Sexo a Três evidenciam que os usuários estão dispostos a tudo e não temem ser descobertos. Os mais reservados cobrem o rosto e apagam as mensagens assim que lidas. Outros parecem não ver problemas e são encontrados em boa parte delas. São como uma praga à procura de sexo.
DIVERSÃO
Rafael (o nome foi trocado), 22, é universitário e descobriu as comunidades de sexo do Orkut há cinco meses. “Comecei como curioso, por diversão e fui me envolvendo. Durante esse tempo conheci algumas pessoas e me envolvi com uma delas”, revelou.
Pela exposição que o site proporciona, Rafael que trabalha como sapateiro reconhece o perigo porém, disse não ter sido vítima de nenhum golpe ou brincadeira maldosa. “Sei que vicia, mas até hoje não me atrapalhou”. O jovem costuma usar os computadores de lan house e participa de discussões sobre festas mais calientes. “Só não tive coragem de ir com medo de ser uma roubada”.
Com namorada fixa, ele diz que continua a manter contatos na rede por incentivo dela. “Minha namorada tem a fantasia de me ver transar com outras meninas, por isso envio mensagens para moças que gostam de casais e deixo meu celular para contatos”.
Os pontos de encontros são avenidas movimentadas de Franca e as noitadas ocorrem em chácaras, repúblicas e ranchos da região. Dentro da cidade, os locais preferidos são ruas escuras e de pouco trânsito , além de loteamentos em construção.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.