Um ano ano depois de sua morte, a ausência do jornalista Corrêa Neves ainda é sentida no ambiente onde ele viveu por trinta e três anos, um pouco menos da metade de sua vida: o jornal Comércio da Franca. Os que o conheceram intimamente (e incluídos aí não estão apenas os familiares, mas também os amigos e um grupo de colaboradores que o acompanharam por longa data) não conseguem, ainda, desvincular Corrêa do Comércio e vice-versa. Para todos, uma grande lacuna permanece. Corrêa Neves, além de uma personalidade marcante, foi uma figura ímpar, cuja presença a ninguém foi indiferente.
De Corrêa Neves ou se gostava ou não se gostava. Não havia meio-termo. Além disso, prezava a gratidão, a lealdade, a honestidade e, acima de tudo, a verdade. Marcou aos que o conheceram profundamente por isso. Porque, antes de prezar a gratidão, ele a exercitava. Mostrava-se grato aos que o ajudaram e aos próprios colaboradores, funcionários do jornal como Dulce Xavier, atualmente diretora administrativa, há 22 anos no Comércio: “Lembro-me dele falando sempre: ‘O que não admito no ser humano é a ingratidão, Dulce’”. Ela diz que Corrêa era justo acima de tudo. “Sabia reconhecer em todos suas qualidades, mesmo que fossem de algum desafeto, o que não era raro”. Ela ainda destaca a sua autenticidade. “O que queria falar, falava”.
Ainda hoje, Dulce (que trabalhou por mais de vinte anos ao lado de Corrêa) afirma sentir demais a sua ausência. “Era a pessoa que confiou em minha vontade de aprender dando-me o emprego sem nenhuma experiência. Por isso era para mim, acima de tudo, um amigo”, completa emocionada. Corrêa Neves também marcou a trajetória profissional e pessoal de Sandra Lima, diretora comercial, em 18 anos de atuação no Comércio da Franca. “Fica difícil lembrá-lo sem que me emocione”, ela diz. “Ainda hoje, sinto a sua falta dentro do jornal. Uma notícia ou um fato imediatamente nos remete à lembrança do ‘sêo’ Corrêa, imaginando como ele agiria diante do que vem acontecendo”, complementa.
Sandra diz que sempre encontrou em Corrêa Neves mais do que um patrão: “Ele foi bem mais que um amigo. Foi um pai, que nunca me fechou as portas e sempre ajudou no que eu precisei”, finaliza.
Sidnei Ribeiro, um dos mais antigos colaboradores, hoje editor do Caderno Brasil – está há 26 anos no Comércio –, lembra com saudade daquele que considera “mestre, amigo, pai, irmão, quase tudo”. “Foi o primeiro que acreditou no meu potencial e confiou na minha capacidade”, afirma. Por isso, o considera “inesquecível”: “Com ele era ou pau ou pedra! Não existia meio-termo”, garante. “Por isso, ainda é difícil para aqueles que o acompanharam por longos anos e aprenderam a admirá-lo e respeitá-lo entrar no Comércio e não encontrá-lo”, diz. “O Comércio continua muito bem dirigido pela dona Sônia e pelo Júnior. Mas a falta do ‘sêo’ Corrêa ainda é sentida por todos nós”, arremata.
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