O retorno como o dono do ‘Comércio da Franca’


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O jornalista Corrêa Neves com a mulher. Sônia Machiavelli, e os filhos Corrêa Júnior e Andre (da esq. p/ dir) em um dia de trabalho no Comércio da Franca
O jornalista Corrêa Neves com a mulher. Sônia Machiavelli, e os filhos Corrêa Júnior e Andre (da esq. p/ dir) em um dia de trabalho no Comércio da Franca
Corrêa buscou a candidatura a deputado estadual na década de 60 e em duas ocasiões chegou a ser suplente na Assembléia Legislativa de São Paulo. Porém, foi eleito mesmo para o Executivo municipal em “dobradinha” com o médico José Lancha Filho, do qual foi vice, no período de 1968/1972, em Franca. Uma vitória apertada e da qual falaria anos depois com uma certa mágoa: “Durante todo o mandato, só entrei na Prefeitura no dia da posse”. O episódio lhe custou um longo período de animosidade com o então prefeito; mas anos mais tarde ambos retomaram a convivência. Sobre a vitória, Corrêa Neves sempre afirmou: “Nunca desanimei e sabia que iríamos vencer”. E a “virada” foi na última urna apurada, quando o próprio Lancha já desistira e deixara o recinto do Bagres, onde acontecia a apuração. Mais tarde, deixando a política de vez e assumindo o lado jornalista/empresário, Corrêa Neves buscava, no íntimo, sua realização também como pai e chefe de família, casando-se com a professora Sônia Machiavelli, com quem teve dois filhos: José Corrêa Neves Júnior, hoje diretor-responsável do Comércio da Franca, e André Luís Corrêa Neves, empresário. Corrêa Neves assumiu o comando do jornal em abril de 1973 e promoveu grande mudança gráfica no veículo. Em menos de um ano muda o parque gráfico para instalações maiores: do acanhado e escuro prédio da Rua Marechal Deodoro, defronte da Santa Casa, o jornal passa para a Rua Ouvidor Freire, 1986, em prédio adquirido de Calçados Palermo. Logo depois, seria instalada no local a poderosa impressora Goss Community, importada dos Estados Unidos e que tornaria o Comércio pioneiro no sistema de impressão a frio. O Comércio passa a se modernizar, mantendo-se ombro a ombro com os grandes veículos de comunicação do mundo: depois do off-set, vieram os computadores, a informatização total da redação e da captação de classificados, as cores diárias, a ampliação do prédio, por fim, o Classifone. Além disso, transformou sua sala num ponto de encontro de autoridades, políticos, personalidades e artistas. Desde Laudo Natel – que esteve em Franca para a inauguração da moderníssima impressora, em 1973, voltando várias vezes para visitar Corrêa Neves em outras oportunidades –, todos os governadores do Estado foram recebidos pelo jornalista, como Paulo Maluf, Franco Montoro, Orestes Quércia, Mário Covas e Geraldo Alckmin, atual candidato a presidente pelo PSDB, sendo que praticamente todos se tornaram seus amigos. O presidente Fernando Henrique Cardoso, também esteve no jornal durante a campanha que o elegeu para o primeiro mandato como presidente da República. Em março de 2005, antes de se afastar da direção do jornal por conta da enfermidade que acabou causando sua morte, o jornalista Corrêa Neves articulou e incentivou seu filho, Corrêa Neves Jr., a efetivar a compra da rádio Difusora de Franca que, em menos de um ano, deixou a terceira posição para o posto de rádio AM mais ouvida na cidade e região, de acordo com medição do Ibope. Sem nunca ter deixado de comandar o jornal ao longo de 33 anos, Corrêa Neves foi também presidente do clube de futebol do seu coração, a Associação Atlética Francana, de 1980 a 1984. Com a bandeira da Francana e a da cidade, seu esquife, depois de o corpo ser velado no salão da Câmara Municipal, foi levado ao Crematório da Vila Alpina, na capital, atendendo a pedido expresso em vida a familiares e amigos.

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