A morte do jornalista Corrêa Neves, na noite de 18 de agosto de 2005, após cirurgia que exigiu cerca de seis meses de internações intermitentes, deixou uma lacuna que nunca será preenchida. As últimas homenagens, no dia seguinte à sua morte, durante velório na Câmara Municipal, quando centenas de pessoas foram se despedir, traduziram perfeitamente a sua importância para toda a região. Autoridades, políticos, personalidades e pessoas comuns passaram diante da urna funerária onde jazia, após 77 anos, dez meses e 20 dias de vida, o corpo do jornalista que foi um dos maiores defensores dos interesses de Franca e de seu povo.
O jornalista José Corrêa Neves nasceu no dia 28 de setembro de 1927, na vizinha Itirapuã. Filho de Thomás Corrêa Neves e Maria Patrocínia de Carvalho, começou a trabalhar ainda garoto na lavoura. Em busca de melhores oportunidades, mudou-se para Franca, onde foi sapateiro (pregador de saltos no mesmo prédio que, anos depois, ele iria adquirir para abrigar redação e gráfica do jornal Comércio da Franca) e, aos 16 anos, decidiu aventurar-se em São Paulo. Lá conheceu por acaso o jornalista Castro Neves, futuro ministro do presidente Jânio Quadros, pelas mãos do qual teve contato com o melhor da literatura clássica brasileira, do jornalismo e da política: as obras de Machado de Assis e os sermões de Padre Vieira; as redações de jornais como A Noite, O Dia, A Platéia, Última Hora e também da TV Record, como ele mesmo gostava de relembrar.
Na capital, conquistou espaços importantes e construiu uma sólida carreira. De fevereiro a maio de 1955 foi secretário do prefeito paulistano William Sallem. Foi depois repórter setorista na Assembléia Legislativa, cuja atuação chamou a atenção do governador Adhemar de Barros, a quem passou a acompanhar intimamente de 1963 a 1966. Foi titular da Secretaria de Imprensa do Governo Adhemar de Barros, transformando-a em verdadeira “embaixada” para receber amigos e pleitos de Franca. Com a influência que possuía conseguiu, entre muitos benefícios, a criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Franca, atual Unesp (Universidade Estadual Paulista).
Em 1966, quando Adhemar de Barros foi cassado e se exilou na Alemanha, Corrêa Neves passou a pensar sua volta. Não mais para São Paulo, onde se fixara há décadas. Mas para Franca. Concretizou esse sonho em 1968, ano em que foi eleito vice-prefeito na chapa encabeçada por José Lancha Filho. Em 1972, Corrêa Neves se casou com a professora Sônia Machiavelli, com quem teve dois filhos: Corrêa Neves Júnior e André Luís Corrêa Neves.
Em 1973, assumiu o Comércio da Franca, que comprara de Alfredo Costa (o jornal hoje é comandado pela viúva Sônia Machiavelli Corrêa Neves e pelo filho Corrêa Neves Júnior). Modernizou o parque gráfico ao imprimir, pioneiramente, no sistema off-set.
No Interior do Estado todos os outros jornais ainda usavam os tipos de chumbo e clichês para fotos. Com sua administração, manteve o jornal à frente de seu tempo, introduzindo ainda os computadores e a informatização total na redação e na captação de classificados, tudo isto no final da década de 90 do século passado. Apaixonado pela cidade e pela informação precisa, exercitou durante todo o tempo em que administrou o Comércio estas duas características, lutando pelas reivindicações da cidade e procurando informar aos leitores da forma mais completa e precisa. Tornou o Comércio uma espécie de sala de visitas da cidade, recebendo políticos, personalidades e artistas.
Numa das últimas homenagens que recebeu em vida, teve seu nome dado ao futuro campus da Unesp (cuja construção começa neste mês a sair do papel) por lei de iniciativa do deputado Gilson de Souza (PFL), sancionada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).
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