Futebol na ilha


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Partida na manhã de ontem, em uma das quadras no segundo pavilhão do prédio
Partida na manhã de ontem, em uma das quadras no segundo pavilhão do prédio
Esporte das massas, das torcidas e da paz, o futebol tornou-se um dos principais meios que os detentos da cadeia pública do Jardim Guanabara descobriram para buscar a ressocialização na unidade, que vive superlotada a mais de anos ao extrapolar a população de 218 presos. As 460 pessoas reclusas no prédio se organizaram no começo do mês e promovem, em quatro semanas, o Campeonato da Ilha, com a participação de dez times, todos uniformizados. As três melhores equipes receberão troféus e haverá o destaque do artilheiro e do goleiro menos vazado. Os jogos começaram na semana passada e acontecem das 8h30 às 11 horas e das 14 às 16h30, horário do banho de sol. Formar times com uma opção vasta de jogadores, como é o caso do Guanabara, exigiu que fosse feito um sorteio. Essa também foi uma das maneiras encontradas pelos próprios presos para não haver “panelinhas”. “Fizemos um trabalho em conjunto para comprar os dez jogos de camisetas, os troféus e as bolas”, disse Reginaldo Borges Miranda Lima, que participou da organização do campeonato. Improvisação também foi preciso. Nas duas quadras de cimento dentro do pátio, as grades que circundam os pavilhões serviram de sustentação para amarrar as traves, feitas de garrafas de plástico dois litros. Tudo isso montado pelos próprios atletas, que também lavam seus uniformes. As equipes desse páreo são “parentes” de famosos da Europa, como o Real Madri e Barcelona, que lidera a competição. Há também os mais originais, exemplo de Qualquer Um, Bola +1 e Só Tabajara. A pequena torcida, um pouco espremida, assiste a partir de um pequeno vão entre as linhas da quadra e a parede de grades. A partida que se pode ver é de jogadas rápidas entre os quatro jogadores da linha mais o goleiro. Faltas, somente duas marcadas durante a uma hora e meia que a reportagem esteve na “arquibancada” improvisada. “A probabilidade de termos problemas internos com torneios como esse é menor”, comentou o carcereiro Hélio Aparecido Gomes, 36, há dez anos trabalhando na cadeia do Guanabara. “O que ajudar na ressocialização da população carcerária deve ser feito”, completou o diretor da unidade, Alan Bazalha Lopes. A promessa é de ainda neste ano ocorrer outras duas competições, uma de xadrez e outra de dama. Os presos já trabalham na produção dos tabuleiros.

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