Ontem estávamos todos reunidos para comemorar o Dia dos Pais. Somos uma família simples, mas muito unida. Mamãe teve 10 filhos e, mesmo sem a presença do marido, nos ensinou o respeito e o amor ao próximo. Sempre fomos de muita festa. Ontem não deixamos de nos reunir, como não deixamos de nos reunir no meu aniversário (27/06) nem no da mamãe (17/07). Mas os “parabéns a você” não existem mais: meu filho perdeu seu melhor amigo no dia do seu aniversário. E tudo por causa de um homem totalmente embriagado. Agora que já faz quase três meses, será que ele está se tratando? Sei que está dirigindo pelas ruas da cidade, mesmo com a CNH apreendida. Quantas pessoas estão correndo riscos ainda? Gostaria muito de poder ajudar esse indivíduo, pois não quero ver nenhuma família passar pela dor que estamos passando.
A palavra “nunca mais” é uma constante em nossa família agora. A saudade é imensa. Nos torna vazios. Ele não só tirou a vida do meu irmão, como dilacerou um pedaço de cada um dos nove irmãos restantes, deixando vazia a vida de mamãe e de sua esposa. E isso virou mais uma página da vida, ou uma fatia de pizza como a maioria das impunidades desse país.
Todos os dias eu relembro do rosto do meu irmão entubado, a enfermeira dizendo: “Infelizmente, acabou”. É, acabou. Acabou o direito de viver nesse País, acabou a vontade de fazer justiça, acabou... Acabou o Direito? Acabou a vontade? Acabou o amor ao próximo? A única coisa que realmente acabou para nós, familiares, amigos, esposa, conhecidos, adimiradores do Vando, foi a vida dele, foram os sonhos dele, foram seus projetos, sua alegria, sua amizade, sua presença.
Isso sim, realmente acabou...
Clédina Rodrigues Lopes
é leitora do Comércio
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.