Durante os trinta minutos em que falou com a reportagem, a doméstica ZMS chorou por duas vezes e teve de ser amparada pela filha, que serviu-lhe um copo de água. Disse estar tranqüila e que recebe apoio dos vizinhos. Pediu para não ser fotografada de frente e para não ter o nome divulgado, enquanto o caso não for totalmente esclarecido pela polícia.
Comércio da Franca -Durante o tempo em que ficou nas mãos do criminosos você reconheceu o como sendo o Gilmar?
ZMS - Não. Quando o havia visto no bairro ele estava diferente, de barba, bigode e com o cabelo bagunçado. No momento, não tive como reconhecê-lo. Eu estava muito apavorada.
Comércio - Como confirmou que era ele?
ZMS - Porque vi a foto dele sem barba e bigode na delegacia. Foi quando falei: é ele. Nem posso ver a foto dele porque penso estar passando por tudo novamente.
Comércio - Você tem certeza de que o homem que a violentou é mesmo o Gilmar?
ZMS - Absoluta. Não preciso de mentiras e jamais acusaria uma pessoa se não tivesse certeza. Só que eu queria que ele estivesse vivo para pagar em vida pelo que fez.
Comércio - Como recebeu a informação de que ele estava morto?
ZMS - Por ele, não senti nada, mas sinto pela mãe e pelos familiares dele porque é uma dor muito grande. Acho que eu sofri mais. Fui estuprada e ameaçada. Sabendo que ele está morto, fiquei mais tranqüila, aliviada. Não estava nem saindo ao portão de medo. Só tenho que agradecer a Deus. Agora, é só a Justiça provar que sou inocente. Algumas chegaram a duvidar de mim. Eu mesma fiquei surpresa pelo fato dele me trazer de volta após me estuprar.
Comércio - Gilmar Vilela foi linchado. Você condena os que fizeram isso?
ZMS - Acho que não deveriam ter feito isso com ele. Poderiam ter dado uma “coça”, batido bastante nele e o entregado (sic) à polícia. No meu caso, faria isso. Primeiro é Deus, depois a Justiça. Não sei quem o matou. Aquilo lá é um monstro, é o capeta em vida.
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