A doméstica ZMS, 38, saiu do anonimato esta semana para transforma-se no principal personagem de uma complexa história policial: em um intervalo de apenas três dias, viu o namorado ser assassinado, diz ter sido estuprada, chegou a ser investigada como suspeita e se tornou a pivô de um dos mais bárbaros crimes já registrados em Franca. O homem que a teria violentado foi linchado por um bando que resolveu fazer justiça com as próprias mãos.
ZMS afirmou trabalhar há 14 anos como empregada doméstica de uma conhecida família francana. É separada do marido e mora com uma filha de 15 anos, um filho de 21 e dois irmãos em uma casa simples do Jardim Paulista.
Na tarde de ontem, ela falou com o Comércio. “Minha cabeça está completamente virada. Isso nunca sairão de minha mente. Só o tempo e Deus para apagar”.
A doméstica afirmou não ter dúvidas de que Gilmar Vilela, 24, é o homem que a violentou. Disse que não o conhecia, mas admitiu já tê-lo visto uma vez no Jardim Paulista. A filha dela namora um cunhado de Gilmar.
Na noite de sexta-feira, ZMS tomou duas cervejas com o industrial Francisco de Assis Tótoli, em um restaurante da Estação, e foi para casa na companhia do namorado por volta de 0h25. “Assim que desci, já fui rendida. Armado com um facão, ele me obrigou a voltar para dentro do carro e amarrou minhas mãos. Depois, exigiu que o Francisco o levasse para a região do Paiolzinho”.
Ao chegarem à estrada de terra, o acusado teria espancado o industrial até a morte. “Não sei por que ele o matou. O Francisco não fez nada. Apenas levantou a mão e falou para levar o carro e nos deixar. Então começou a apanhar.”
Após arrastar o corpo de Francisco até as margens da estrada e cobri-lo com sacos plásticos, o acusado voltou para o carro e seguiu com a doméstica até a zona rural de Claraval (MG), onde a teria violentado. “Tive que manter relação à força. Ele falava que mataria meus filhos e eu se reagisse. Foi uma tortura. Ele ainda teve a capacidade de perguntar se eu estava satisfeita, quando terminou tudo o que fez.”
Gilmar Vilela retornou para Franca com a doméstica e a deixou na esquina da casa dela. Ao entrar, ela contou o ocorrido a filha. Só procurou a polícia horas depois por causa de supostas ameaças feitas pelo estuprador. Desde o momento da rendição até ser solta, ela acredita ter ficado cerca de cinco horas em poder do criminoso. Garante que neste intervalo de tempo não teria reconhecido Gilmar Vilela. “Fui saber que era ele somente após ver sua foto no álbum de criminosos da Polícia Civil”.
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