Arte na bomba


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Um quadro, exposto no Posto Galo Branco, traz todas as boas notícias que gostaríamos de ler: “Aumentam as exportações de calçados em Franca”, “Salário sobe”, “Desemprego zero”, “Cidade sem violência”, “Franca volta a ser a capital nacional do basquete”, “Franca sem buracos”, “Inaugurado museu e centro cultural”. Infelizmente, as notícias não estão na edição de hoje do jornal. Mas fazem parte de uma homenagem que a artista plástica Édina Síkora fez ao Comércio da Franca. O quadro, de 60 X 80 cm, é um dos integrantes do projeto Arte na Bomba, que começou no fim de setembro e termina neste sábado, no Posto Galo Branco. “Fiz esse quadro especialmente para a exposição”, disse. E por que o Comércio da Franca como tema? “Porque é o jornal da cidade, que tem a nossa cara”, disse. Além dessa obra, estão expostos mais nove quadros no local. São oito de Édina e dois da artista Regina Célia. Todos foram pendurados acima das bombas para serem vistos, admirados ou comprados por qualquer pessoa. A idéia é que a maioria deles faça alguma referência a Franca. Assim, além do Comércio, podem ser vistas obras que remetem ao Magazine Luiza, aos calçados Opananken, ao Boteco do Lu, etc. Quem se interessar em comprá-los ajudará também o Hospital do Câncer e a Associação Francana de Artistas, já que parte da renda será revertida para essas instituições. A idéia de expor obras em um posto de gasolina partiu da Associação Francana de Artistas, em conjunto com a administração do Galo Branco. “No Brasil, não há uma cultura de freqüentar museus ou pinacotecas. Então, resolvemos expor em um lugar mais acessível ao público”, disse. O projeto, denominado Arte na Bomba, começou no final de setembro e será encerrado neste sábado. Mas Édina garante que o encerramento será temporário. “O projeto vai continuar, só que ainda não decidimos com qual formato. Vamos avaliar o resultado dessas quatro semanas para definir como será a continuação”, disse. Para ela, esse tipo de trabalho é importante porque o posto de gasolina pode se tornar um ponto de convergência, onde as pessoas também vão para comprar obras de arte. Mas Edina sabe que esse é um trabalho que demanda tempo. “Quem vai comprar gasolina não está preparado para comprar uma obra de arte. Por isso é preciso fazer também um trabalho educacional”, disse. “Mas em um primeiro momento, o que queremos é deixar o artista em contato com o público”, completou. A ASSOCIAÇÃO A Associação Francana de Artistas, presidida por Édina Síkora, foi criada há um ano e meio e já está com 60 associados. O número pode até ser considerado pequeno diante dos cerca de 200 artistas plásticos que existem na cidade. A intenção é fazer com que Franca ganhe mais espaço para mostrar sua arte e seus artistas. “Nós não temos um centro cultural onde as obras possam ficar expostas. E é isso que queremos, além de divulgar o trabalho dos nossos artistas”, disse. “Franca precisa de mais investimentos nessa área. A arte pode ser até mesmo uma atração turística”, completou. Natural de São Paulo, Édina Síkora diz que adotou Franca como “sua cidade” e por isso se empenha tanto pelos artistas daqui. Ela veio para o município há cinco anos, porque seu pai morava em Rifaina. “Eu adoro esta cidade. Sempre que viajo, volto para cá beijando as calçadas de Franca”.

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