A Câmara Municipal aprovou ontem a renovação do convênio entre a Prefeitura e o governo do Estado para que policiais possam multar infratores de trânsito em Franca. Desde o dia 14 de julho, data do vencimento da parceria, os PMs estavam proibidos de autuar. Uma gratificação aos policiais, principal ponto de conflito e que adiou a aprovação, acabou retirada. O presidente da Câmara, Marcelo Mambrini (PMN), lutou para que ela fosse mantida, mas acabou derrotado após discussões desgastantes.
Desde o início, Gilson Pelizaro (PT) propôs que o projeto fosse votado separado da cláusula que estipulava a gratificação. Obteve o apoio até mesmo do líder do governo Jepy Pereira (PSDB), que foi até o gabinete do prefeito Sidnei Rocha (PSDB) e acertou a alteração. Sidnei garantiu a Jepy que, se o convênio for aprovado, enviará outra proposta legislando apenas sobre a gratificação aos policiais.
Apenas o presidente da Casa, Mambrini, não se deu por satisfeito. “Quem garante que esse projeto realmente virá?”. O presidente da Câmara fez um apelo para que a gratificação fosse aprovada em conjunto com o projeto e afirmou ainda que o vereador que se posicionasse contra a gratificação “estaria dando as costas aos policiais”. Foi a gota d’água para a revolta de seus colegas.
Jepy Pereira e Luiz Carlos Fernandes (PDT), muito irritados, acusaram Mambrini de querer jogar os vereadores contra a população. Os pronunciamentos da dupla foram leves perto do que Pelizaro resolveu descarregar sobre Mambrini. “Uma das coisas importantes para um policial e para um político é o equilíbrio. Vossa Excelência, por estar afastado da polícia, talvez esteja desequilibrado”, começou o petista, arrancado gargalhadas no plenário até mesmo de policiais que acompanhavam a votação do projeto no anseio de conseguir um complemento em seu salário. “Nesta Casa, é preciso negociar”, disse. “Fazer média é muito fácil, mas não se pode empurrar as propostas pela goela abaixo”, complementou aos gritos.
Mambrini, que ouviu tudo sem dizer uma só palavra, foi à tribuna.
Pelizaro, ainda irritado, achou que ele insistiria na defesa da gratificação. Não. O presidente pediu desculpas e reconheceu a derrota. “Vossa Excelência poderia ter esperado eu falar antes de criticar. Vossa Excelência já ganhou a questão. Já está 10 a 0 para o senhor”, disse.
Após ver a aprovação do convênio sem a gratificação, Mambrini deixou a sessão. Muito irritado, foi até a porta da Câmara dar satisfação a cerca de 15 policiais que assistiram à reunião. Ao Comércio negou a irritação. “Apenas expliquei a eles o que ocorreu, alguns não haviam entendido direito. Não me irritei, apenas fiquei triste”.
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