Os funcionários da Calçados Samello entraram ontem no segundo dia de greve. Sem receber metade do pagamento de julho resolveram manter a paralisação e prometem não retomar o trabalho enquanto os salários não forem quitados. A empresa depositou metade dos valores na segunda-feira e prometeu pagar o restante ontem. Mas, pela manhã, ao ver que isso ainda não havia acontecido, os cerca de 400 empregados resolveram continuar de braços cruzados.
Ao contrário da segunda-feira, quando os grevistas ocuparam o pátio externo da fábrica, ontem, houve dispensa geral. Pouco depois das 8 horas, um dos gerentes teria se aproximado e solicitado que todos entrassem para trabalhar, sob a promessa de que a metade do pagamento de julho que continua em aberto seria pago à tarde. A maioria não aceitou. Diante da recusa, o gerente decidiu liberar a todos.
“Não temos o que fazer aqui. Não recebemos e não tem por que entrarmos para trabalhar. Além do mais, mesmo que pagassem, não teríamos muito o que fazer dentro da fábrica, pois não há matéria-prima suficiente, sempre falta alguma coisa”, disse o pespontador Murilo Batista, 27, há dois anos na empresa.
Um colega de pesponto de Batista, que não quis que seu nome fosse divulgado, descreveu as dificuldades enfrentadas pela empresa. Disse que além de matéria-prima, faltam até mesmo materiais de higiene e limpeza no interior da fábrica. “Foi-se o tempo em que faltava somente vaqueta e forros. Agora, tem dia que não tem toalha de papel para limpar as mãos. Até papel higiênico já faltou nos banheiros. É vergonhoso para uma empresa deste porte”.
Desde o início do ano, a Samello tem atrasado a folha de pagamento seus funcionários. Apesar da reincidência, os trabalhadores mantiveram o trabalho normal até o mês passado, quando ocorreu a primeira greve relâmpago. Agora, a paralisação já dura dois dias e os sapateiros dizem que só retomarão o trabalho depois que receberem o salário de julho (leia mais nesta página).
DIRETORIA
O presidente da empresa, Miguel Sábio de Mello Neto, não foi encontrado ontem para comentar a greve e as declarações dos funcionários. Na segunda-feira, havia dito que os entraves burocráticos que impediam a liberação do dinheiro pelo banco estavam resolvidos e que ontem haveria a quitação da folha. Prometeu ainda que, dentro de dois meses, os atrasos deixarão de acontecer. “Estamos trabalhando duro para conseguir colocar as coisas em ordem e, se tudo correr como esperamos, a partir de outubro os pagamentos não atrasarão mais”.
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