Patrimônio ameaçado


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Em dois prédios históricos de Franca, o Colégio Champagnat e o prédio da Unesp (Universidade Estadual Paulista), estão duas capelas que são relíquias importantes da história e da arte sacra da cidade. Curiosamente, elas sofrem com o mesmo problema, embora em escalas diferentes: o descaso. O caso mais grave é o da Capela da Unesp. Fechada há mais de dez anos, está praticamente em ruínas. Segundo o historiador e pesquisador Marcelo Pini, é uma construção do final do século 19. “Acredita-se que a capela tenha sido um dos primeiros espaços do Colégio Nossa Senhora de Lourdes a ficar pronto”. Ele disse ter entrado no local pela última vez há cerca de quatro meses e ficado estarrecido com o que viu. “É um lugar lindo, mas estava caindo. Além disso, parecia um depósito de cadeiras e materiais descartados pela Unesp”, disse. Desde que foi construído, o local já passou por diversas reformas. Em uma delas, foi construída uma gruta onde fica a imagem de Nossa Senhora de Lourdes. O local também enfrenta infiltrações, está com partes das paredes descascadas e o revestimento de gesso do teto já caiu em alguns pontos. De acordo com o diretor da Unesp, Ivan Manoel, o custo de restauração da capela é de R$ 1,3 milhão. Mas, por enquanto, não há um projeto definido para a restauração do local. Em 2004, a Universidade conseguiu inserir o projeto dentro da Lei Rouanet (por essa lei, empresas podem financiar projetos culturais e conseguir a isenção ou a dedução do Imposto de Renda do valor disponibilizado), mas o prazo para a captação de recursos já se esgotou e até agora nada saiu do papel. “Somente o Magazine Luiza se interessou em patrocinar com uma ajuda de R$ 10 mil”, disse. “Nós queremos recuperar o espaço para uso da cidade”, completou. CHAMPAGNAT Pouca gente sabe, mas no primeiro andar do prédio do Colégio Champagnat há uma capela, que está desativada. Apesar das pinturas sacras, o local virou uma sala onde hoje funciona a sede da Feac (Fundação de Esportes, Arte e Cultura). Segundo registros do Arquivo Histórico, a capela deve ter pouco mais de 80 anos de construção. O forro de madeira do teto é todo pintado com imagens sacras feitas pelo artista Agostinho Ferrante, nascido no início do século 20 e morto em meados da década de 90. Registros existentes no Arquivo dizem que a capela foi decorada por ele, também responsável por pinturas nas igrejas São Sebastião, Capelinha e outras da região. Estruturalmente, o maior problema do local são os cupins. Historicamente, são as pinturas feitas nas paredes e no local onde era o altar, que foram totalmente encobertas por camadas de tinta branca. Depois de raspar alguns locais, descobriu-se que havia essa ornamentação. O altar, por exemplo, era totalmente forrado por uma pintura que imitava uma grande cortina azul. Agora, a prefeitura tenta reverter esse quadro. Nesta semana, técnicos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) chegaram à cidade par trabalhar na descupinização, não só da capela, mas de todo o prédio do Champagnat. Segundo o biólogo Gonzalo Lopes, será injetada uma substância química desenvolvida pelo instituto com base no próprio inseto. A previsão é de que a primeira fase desse trabalho seja concluída em duas semanas. De acordo com Reginaldo Emídio, responsável pela Feac, a idéia é, depois da descupinização, dar início a um trabalho de restauração da capela, para que o espaço possa ser aberto à visitação pública. “Já consultamos o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico de Franca) e a restauração está autorizada. Queremos que as pessoas cheguem aqui e possam ver um local o mais próximo possível do original”, disse.

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