Sem receber os salários de julho, os mais de 400 funcionários da Calçados Samello cruzaram os braços ontem e pararam a produção da empresa. Foi a segunda paralisação pelo mesmo motivo em menos de um mês (leia mais nesta página). Sem atividades, pelo menos 3,5 mil pares diários de calçados deixaram de ser fa-bricados. A direção da empresa pediu paciência, pagou parte dos salários ontem e se comprometeu a creditar o restante do dinheiro ainda hoje na conta dos trabalhadores.
Metade dos salários deveria ter sido paga no dia 9 e a outra ontem, o que não ocorreu. Diante disso, o Sindicato dos Sapateiros compareceu à porta da fábrica e, após breve assembléia, a maioria dos funcionários da linha de produção optou por cruzar os braços. “Está dando desespero. A gente nunca sabe quando vai receber. E o que mais dói é saber que eles (os proprietários) têm dinheiro. É uma falta de respeito muito grande”, disse um pespontador que trabalha na empresa há três anos e pediu para não ser identificado.
O presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, disse que a diretoria está empenhada em buscar recursos para evitar novas paralisações. “Nossa prioridade é o funcionário. Quando não pagamos em dia é porque não conseguimos levantar o dinheiro e fico muito constrangido com isso. Quanto ao mês de julho, pagamos metade hoje (ontem) e até amanhã (hoje) o restante estará depositado”, disse.
Mello Neto marcou ainda uma data para que os atrasos parem de acontecer. Segundo ele, em outubro, os pagamentos voltarão à normalidade. “Temos carteira e credibilidade junto aos compradores internos e estrangeiros e, graças a Deus, pedidos que nos garantem a produção até o fim de outubro”.
SEGUNDA VEZ
A Samello vem encontrando dificuldades para pagar os salários dos funcionários desde o início do ano. Os atrasos, em média, são de dez dias. “Já recebemos até 20 dias depois da data”, disse um funcionário da expedição. Apesar da situação, até o mês passado, não haviam acontecido greves relâmpago. A exemplo do que aconteceu ontem, a primeira foi em 17 de julho, puxada pelos trabalhadores da linha de produção.
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