Um senhor dormindo de boca aberta na porta de uma loja de tecidos, crianças brincando na rua, mendigos nos bancos das praças. Todas essas cenas são de fotografias que fazem parte da exposição O Aleatório, do fotógrafo Divaldo Moreira, 31, que será aberta hoje, às 20 horas, na Pinacoteca Municipal.
Fotógrafo profissional há dez anos e atualmente integrante da equipe de profissionais do jornal Comércio da Franca, Divaldo se inspirou no francês Henri Cartier Bresson – que costumava dizer que fotografava por um aleatório querer saber – para organizar a exposição. “Ele tinha o gosto pela condição humana, que eu também tenho. Além disso, era um poeta da fotografia, o que eu acho lindo.”
O nome, Aleatório, mostra bem a intenção: captar o cotidiano das pessoas e das cidades. São todas imagens que foram feitas aleatoriamente, sem um intuito de protesto. “São fotos que mostram sensibilidade e desprovidas de um caráter ideológico.
Foram feitas em viagens, passeios com a família, no caminho para o trabalho ou para uma pauta”, disse. “Para fazer a imagem do senhor deitado em um banco de praça que tem a inscrição ‘em todo o Brasil’, por exemplo, tive que pedir uma câmera emprestada. Eu trabalhava no Magazine Luiza, vi a cena e corri em uma loja de fotografia que tinha perto para pedir uma câmera”. São imagens de pelo menos dez lugares diferentes, feitas desde 1996. A escolha pelo preto-e-branco também tem uma justificativa. “É menos dispersivo. As pessoas ficarão mais atentas às imagens”, disse.
Natural de Igarapava, formado em contabilidade e com passagens pelo Banco do Brasil e Magazine Luiza, Divaldo se apaixonou pela fotografia ainda adolescente, trabalhando com um primo em um estúdio de fotografia. “No começo eu não ligava muito. Mas depois comecei a gostar. Aí, meu primo me emprestava o equipamento e eu saía fazendo fotos nos fins de semana”. E o primo parecia acreditar no potencial de Divaldo. “Quando saí do estúdio ele me deu uma câmera de presente”.
A vida seguiu seu curso, Divaldo começou a trabalhar em escritórios e chegou até mesmo a desistir da fotografia. Vendeu sua câmera para se inscrever em um concurso público. Mas parece que as pessoas próximas a ele acreditavam que a fotografia era o caminho. Tanto que seu irmão vendeu um telefone e comprou uma câmera para lhe dar de presente. “Aí eu resolvi tentar viver da fotografia”, diz. Começou fazendo casamentos, até se embrenhar pelo fotojornalismo. Recentemente, uma de suas fotos feitas durante revista da cadeia do Jardim Guanabara foi publicada na capa do jornal Folha de S.Paulo.
A exposição poderá ser vista de segunda a sexta-feira, das 8 às 20 horas, e aos sábados, das 9 às 13 horas, até o dia 30 deste mês.
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