Com máquina digital em punho e bloco de anotações, o engenheiro paraguaio Ruben Noguer, 28, funcionário da Secretaria de Meio Ambiente de Assunção, capital do Paraguai, conheceu ontem a Estação de Tratamento de Esgoto de Franca. Ele é integrante de um grupo de estrangeiros que até o dia 6 de setembro participará do Curso Internacional de Tratamento de Esgotos Domésticos.
Elaborado pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) de Franca, com financiamento da JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão, sigla em inglês), o curso ensina as técnicas aplicadas na cidade para que as mesmas possam auxiliar na melhoria do saneamento básico dos países participantes. Ao todo, 15 países da América Latina e da África participam do evento.
“São países com pouca tecnologia na área. No Peru, por exemplo, somente a capital possuía tratamento de esgoto; no restante do País, os resíduos corriam a céu aberto. Depois que dois técnicos participaram do curso aqui em Franca, eles são requisitados para levar a melhoria para todo o interior peruano”, disse Augusto Hiromu Emori, assessor executivo da Jica, que, após o curso, acompanha a aplicação de projetos nos países capacitados.
Segundo Marli Meireles, uma das coordenadoras da capacitação, as culturas das nações participantes com o Brasil são semelhantes, porém elas não possuem especialistas na área. Depois de capacitados, eles disseminam os conhecimentos em grupos de trabalho. “Eles chegam com muita expectativa em busca de solução para seus problemas”, explicou.
Noguer disse que, no seu país, a poluição do Rio Paraguai é uma das maiores preocupações da Secretaria de Meio Ambiente. “Busco uma forma de tratar esse esgoto e despoluir o rio”. No Paraguai, 70% dos resíduos sólidos são coletados. “O curso é instrutivo, bem organizado, proporciona conhecimentos que posteriormente poderão ser aplicados em pequenas comunidades”, disse.
O curso é ministrado por especialistas na área de faculdades públicas paulistas e consta de palestras, seminários, aulas teóricas e práticas e visitas técnicas. São oito horas diárias de aula. “Muitos desses doutores são autores de livros que servem de referência para os técnicos participantes. É uma troca de experiências que ajuda na melhora da qualidade de vida”, lembrou Marli.
Ontem, além da visita na ETE, os estrangeiros conheceram a cidade e as leis de trânsito, tiveram uma palestra institucional da Sabesp e fizeram uma apresentação de suas realidades. No fim do dia, participaram da abertura oficial do curso no Shelton Inn Hotel.
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