Após quase três meses de silêncio, desde a invasão e quebra-quebra à Câmara dos Deputados em Brasília, os militantes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) começam a se preparar para voltar à ação. O momento para o grupo não poderia ser mais propício. Amanhã, 13, vence o prazo para as famílias de sem-terra deixarem a Fazenda Jandira, em Cristais Paulista, onde estão desde maio. O tempo de três meses foi dado pelo proprietário, Antônio Moraes, a quem os sem-terra pediram permissão para entrar depois da reintegração de posse da Fazenda Nova Mata, de propriedade do Grupo Samello.
Vilmar Silva, um dos coordenadores do grupo na região, disse que o MLST tentará negociar com Moraes um tempo maior para permanecer na fazenda até que outro local seja encontrado. Em outras palavras, até que outra invasão seja feita. “Como paramos totalmente com nossas atividades e nos últimos dias ficamos envolvidos na campanha para eleger o presidente do Sindicato dos Sapateiros, só agora voltaremos a atenção para o movimento”, disse ele.
O proprietário disse que não pretende brigar com os sem-terra, mas que os militantes terão de deixar a área até o fim do mês. “Arrendei a propriedade para plantar cana e o plantio começa em setembro. Não tenho como prolongar mais esse prazo”, disse Moraes, ressaltando que não pretende brigar com os sem-terra. “Eles sempre foram corretos comigo”.
Silva voltou a afirmar que o MLST continua interessado em várias propriedades na região e também aguarda o posicionamento do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que avaliou a Fazenda Santa Cruz, também em Cristais. “A informação que temos é que foi feita uma proposta de compra. Mas não sabemos a resposta”, disse Silva. O Incra não divulga nenhuma informação sobre o assunto.
Atualmente, na Fazenda Jandira estão acampadas 176 famílias. São pessoas de toda a região, a maioria de Franca. “Além disso, temos um cadastro de 3 mil inscritos e em breve convocaremos aproximadamente 500 famílias para retomar nossos trabalhos”, disse.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.