Selo é cultura


| Tempo de leitura: 4 min
A história e a cultura de um povo podem ser conhecidas por meio de um pequeno pedaço de papel: o selo. Mais do que uma simples chancela para enviar cartas, o selo tornou-se um objeto de adoração, uma paixão para os filatelistas. Muita gente acha que uma coleção de selos é algo inatingível, caríssimo e difícil de organizar. Pelo contrário. Pode ser um dos hobbies mais baratos que se tem, já que um selo recém-lançado dificilmente custa mais do que R$ 0,80. O mais interessante é que a coleção de selos pode ser uma verdadeira aula de história e cultura. Segundo o presidente da Federação Paulista de Filatelia, Geraldo de Andrade Ribeiro Júnior, “os selos são uma fonte de cultura inesgotável”. Ele conta que na Espanha, por exemplo, as crianças têm aula de filatelia na escola. “É um meio educacional também, principalmente para aulas de história”, diz. Hoje, Geraldo dará um curso no shopping, no qual ensinará como começar uma coleção de selos, o que, segundo ele, é muito simples. “A coleção de selos é um meio de lazer democrático. Cada um pode fazer do tamanho do seu bolso”. Essas coleções podem ser formadas de várias maneiras. Mas as mais interessantes são as temáticas. Ou seja, a pessoa escolhe um assunto e passa a colecionar os selos relacionados a ele. De acordo com Geraldo, é importante também que na sua coleção o filatelista acompanhe os selos com alguns textos que expliquem seu significado. É justamente aí que reside o caráter histórico e cultural de uma coleção. Ele, por exemplo, trabalha há sete anos em uma coleção sobre a história postal de Franca, que já foi um importante centro filatélico do Estado com mais de 50 colecionadores. Hoje, pelo menos 20 ainda resistem. Selos, carimbos, cartas e fotografias fazem parte desse trabalho. “Eu tenho, por exemplo, a carta que chegou em Franca no primeiro vôo da Vasp para a cidade”. Lembrando que Franca é um dos poucos municípios que possui um selo, lançado em 1956, ano do seu centenário. Além desse caráter histórico e artístico, os selos podem ser considerados obras de arte. Alguns personagens do cartunista Ziraldo, por exemplo, como O Menino Maluquinho, o Bichinho da Maçã, a Turma do Pererê e próprio Saci Pererê, viraram selos em 1994. Neste ano, os Correios lançaram um selo em homenagem aos grafiteiros do Brasil. São três diferentes, que trazem a reprodução de alguns grafites (um sambista batucando em uma caixa de fósforos, um homem soltando pipa e uma estilização do Morro do Pão de Açúcar). Tem ainda um selo de 2005 que é uma homenagem ao samba de roda do recôncavo baiano e outro representando o poeta Mário Quintana. Há também orixás, carnaval, cinema, os festivais de música, que foram temas de selos comemorativos. Isso sem contar as séries esportivas, que sempre são lançadas, como Olimpíadas e Copa do Mundo. Claro que existem muito mais selos do que esses. Estima-se que haja mais de 100 mil tipos diferentes em todos os países do mundo. O REQUINTE Para quem quer começar uma coleção, basta escolher o tema, comprar os selos e dar início à pesquisa sobre o assunto. Mas há os filatelistas mais requintados, que têm um nível de exigência maior e analisam detalhes im- perceptíveis para leigos, como marcas d’água, tipo de papel usado na impressão ou de picote. Não há dúvida de que isso ajuda na valorização do selo no mercado, que tem como principal base a lei da oferta e da procura. Quanto mais selos disponíveis, menos valorizados. Por isso os selos mais caros são os mais antigos, dos quais restaram poucos exemplares, como o famoso Olho de Boi, que foi o primeiro selo emitido no Brasil. “Hoje você pode encontrar um Olho de Boi por R$ 100 ou por R$ 2 mil”,conta. “Depende de quantos foram emitidos e quantos sobraram”, completa. “Um selo com um carimbo do Império, por exemplo, também pode custar milhares de reais. Porque devem ser poucos os exemplares com esse tipo de carimbo. Já os selos atuais com o carimbo dos Correios, valem muito pouco. Afinal, há aos montes por aí”. Hoje, o selo mais raro e mais caro do mundo é “Um centavo sobre magenta”, emitido pela Guiana Inglesa em 1856. O único exemplar existente está avaliado em US$ 1 milhão e nas mãos de um colecionador. Geraldo lembra que hoje os selos já não exercem mais a mesma função de 40 anos atrás. “Durante muito tempo o selo foi a imagem do mundo exterior. Sem televisão ou internet, muita gente conhecia o que estava acontecendo ou havia acontecido em outros lugares por meio dos selos que chegavam”, diz. “A partir de 1945, o selo começou a perder valor por causa das mudanças nas comunicações, como a chegada do e-mail”, completa. SERVIÇOS Curso de Filatelia. Hoje, no Franca Shopping, a partir das 14 horas. Grátis.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários